Nhô Manduco
DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
Adaptação de um soneto de Cornélio Pires
I
Lá se vai o Nhô Manduco
E ninguém não lhe dá bola,
Vai arrastando uma perna
Como um cão manquitola.
II
A noite é triste e chuvosa,
O barro é seu cobertor,
Morre de frio, sem alento
No triste catre da dor.
III
Sente o pobre mendigo
Um estalo na cachola
E do mundo se despede,
Como quem deixa uma Escola.
IV
E nesta Escola Bendita
Nhô Manduco aprendeu
Todo o mal que fez outrora
Aqui mesmo respondeu.
V
Acorda assim Nhô Manduco
Do corpo já libertado
E para sua alegria
Vê Jesus ao seu lado.
VI
Uma Voz grave e serena
Lhe transmitiu a lição
Você ganhou a coroa
Da sua libertação.
VII
Nesta última romagem
Da sua reencarnação
Seu débito foi quitado
Com juros e correção.
VIII
Nhô Manduco, treme e treme
Não sabendo nada ao certo,
Mas vê brilhar na Altura
Uma Luz no Céu Aberto.
(Deo Gratia).