Sozinha
THEODORO JOSÉ PAPA
de Ribeirão Preto, SP
Criança largada em noite escura,
Sozinha cresceu ao léu da sorte,
Teve fome, angústia, amargura
E por muitas vezes pensou na morte.
Mãe, nome que nunca ouviu falar,
Livre, com maus vícios, sem proteção,
Desconheceu, sim, a palavra amar,
A vida lhe deu rudez e ingratidão.
Menino de rua, ministro exemplar,
Ou um criminoso já condenado?
E teve ele chance para trabalhar,
Ou foi por todos escorraçado?
Vergonhoso espetáculo da vida,
Sem verba para educação e saúde,
Longas viagens, criança esquecida,
E o incomodado que se mude.