Editorial
O 1.° CENTENÁRIO DA DESENCARNAÇÃO
DE BEZERRA DE MENEZES
— (1900-2000) —
Em conhecida obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, “Brasil, coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, conta-nos o Espírito Humberto de Campos um importante episódio ocorrido no plano espiritual que nos possibilita dimensionar e compreender o papel que desempenhou Adolfo Bezerra de Menezes, em terras brasileiras.
Assim relata o Autor espiritual: “Há mais de um século, brilhante assembléia de Espíritos se reuniu no Espaço, sob a direção do anjo Ismael. Foi então exposta a missão futura do Brasil na divulgação do Evangelho, que seria iluminado por uma nova Revelação. Em dado instante, o Mensageiro do Senhor se aproxima de um de seus discípulos e fala-lhe mais ou menos assim: — Descerás às lutas terrestres, com o objetivo de concentrar as nossas energias no País do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração”.
Em cumprimento a esse desiderato, o missionário veio ao plano material, sob o nome de Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, a 29 de agosto de 1831. Foram seus pais, Antônio Bezerra de Menezes e Fabiana de Jesus Maria Bezerra, de formação cristã, residentes na fazenda Santa Bárbara, próximo ao riacho das pedras, no antigo município de Riacho do Sangue, atualmente, dividido em dois municípios denominados Solonópole e Jaguaretama, no Ceará.
Foi médico humanitário, administrador público e político honesto e, graças ao seu empenho e dedicação à causa pública, granjeou a confiança e a simpatia de seus superiores e subalternos.
Quando desencarnou, a 11 de abril de 1900, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes recebeu honras do reconhecimento popular e oficial pelo pronunciamento do consagrado poeta e teatrólogo Artur de Azevedo, através do jornal “O Paiz”, como também o testemunho do político Honório Gurgel, na sessão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 16 de abril, vazado nos seguintes termos: “Vi-o sempre correr pressuroso ao tergúrio do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto da sua palavra de bondade, o recurso da sua ciência de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e generosa”. Não fora sem motivo que o chamavam de “O Médico dos Pobres”.
Sua contribuição ao movimento espírita foi grande e decisiva para que a expansão da idéia espírita se espalhasse por todos os quadrantes do território brasileiro. Sua ação teve início, com quase 45 anos, quando em 1875, leu pela primeira vez O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, através das mãos de seu amigo e tradutor, Dr. Joaquim Travassos.
A partir daí, não parou mais: foi responsável pela coluna espírita no jornal “O Paiz”, sob o pseudônimo de Max, no período de 1887 a 1894; tomou parte nos trabalhos administrativos e doutrinários da Federação Espírita Brasileira (fundada em 1894), tendo sido eleito seu presidente em 1889 e vice-presidente, por duas gestões, em 1891 e 1893.
Sua metas foram claras no campo da união da família espírita brasileira, por isso, fora sempre defensor e trabalhador incansável na tarefa de união dos espíritas e no trabalho de unificação do movimento doutrinário para torná-lo uno e fortalecido, tendo como plataforma básica o que chamava de tríplice força moral: União, Método e Trabalho.
Bezerra de Menezes deixou inúmeras obras publicadas. Tanto nos livros, como em seus artigos em revistas e jornais sempre conduziu para uma militância esclarecida e honesta. Em artigo no “Reformador” proclamava: “Propagar o Espiritismo por toda a parte, sim; mas propagá-lo com o respeito e o acatamento que requer o ensino da divina Revelação”.
Diante de tão elevada grandeza moral, é justo que reverenciemos sua memória com especial carinho, fazendo nossas as palavras de Casimiro Cunha, que, em Vassouras - MG (1902), compôs um lindo poema intitulado “Bezerra de Menezes”, encerrando-o assim:
“E ouço uma voz dizer no eterno templo:
Feliz aquele que seguir-lhe os passos,
Feliz aquele que seguir-lhe o exemplo”.
Pense Nisso. Pense Agora.
Fontes consultadas:
“Vida e obra de Bezerra de Menezes”, de Sylvio Brito Soares
“Grandes Vultos do Espiritismo” - Zêus Wantuil
Jornal “Manhã de Sol” - ed. 1977 - Fortaleza - CE