De novo: O Espírita e a Coerência

 

LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER

de Ribeirão Preto, SP

 

Aceitamos o Espiritismo: a concepção da vida se diferencia e se amplia!

Percebemos um sentido inteligente e nobre no viver. Passamos a entender melhor a imortalidade da alma: somos seres imortais, num processo longo e contínuo de evolução e jamais deixaremos de viver, “de exercitar a vida” (expressão de Jaci Régis), de ser, de existir.

Agora, entendemos melhor a existência de Deus, inteligência suprema, criador de tudo, amor e sabedoria infinitos. Não mais um Senhor esperando louvores, favorecendo uns, castigando outros… Criador de leis sábias e justas, através das quais seus filhos alcançam a perfeição e, conseqüentemente, a felicidade.

A morte deixou de ser aquela figura horrenda que vem ceifar a vida. Trata-se apenas do encerramento de uma tarefa na caminhada evolutiva, mas não o fim da vida.

Em qualquer plano que estivermos, encarnados ou desencarnados, estamos sempre vivos, individualidades inteligentes, conscientes, desenvolvendo nossas potencialidades através do estudo e do trabalho.

Após a morte, convivemos com Espíritos iguais a nós, reencontramos entes queridos e estabelecemos novos laços de amizade e de amor.

Doutrina abençoada que nos eleva em nossa valorização de filhos de um Pai perfeito!

E as reencarnações? Permitindo-nos a corrigenda de nossos erros e enganos, o fortalecimento de laços afetivos e a transformação dos desafetos em amigos.

Através das reencarnações, as oportunidades de perdoarmos e sermos perdoados; as oportunidades de recomeço, num renovar de situações mal ou não resolvidas, para serem novamente vividas e trabalhadas na procura de soluções melhores e definitivas; as oportunidades de aprendizado constante, em todos os campos do saber, ampliando conhecimentos a cada reencarnação.

No viver inúmeras existências, vamos aprendendo que o amor é totalmente divisível: quanto mais amamos mais se desenvolve em nós esse sentimento sublime e a mais seres somos capazes de amar.

E a lei de ação e reação? O seu conhecimento nos esclarece quanto aos sofrimentos, dificuldades do viver na Terra, demonstrando que ninguém sofre inocente, porque colhemos hoje o que semeamos ontem e mostrando-nos também a importância do momento presente para a nossa paz e felicidade.

Enfim o Espiritismo nos esclarece sobre a vida, sobre nós, seres espirituais universais, provisoriamente, habitantes da Terra.

Como é bom ser espírita!

Mas, o que fazemos com todos esses conhecimentos? Ficam apenas no campo mental, em nível de raciocínios intelectuais, sem provocar alterações em nossa maneira de agir?

O Espiritismo é uma doutrina comportamental, uma vez que deve impulsionar seus adeptos a uma mudança de atitude em relação à vida, aos seres e aos acontecimentos.

Para que transformemos nossos comportamentos, mudanças têm de acontecer primeiro internamente, no sentir, no pensar, para, conseqüentemente, expressar-se no agir e reagir. É uma transformação educacional, de dentro para fora, portanto lenta, mas constante, produto de estudos, reflexões sobre a prática dos ensinos espíritas em todos os atos da vida cotidiana.

Se isso não acontecer, se o espírita não perceber-se em mudanças, o Espiritismo, para ele, está sendo apenas um rótulo, não um instrumento de evolução.

Somos Espíritos que já passaram por muitas experiências, através de “n” reencarnações; já cometemos muitos erros e enganos. Agora, se já estamos amadurecidos para conhecer com mais racionalidade as leis naturais, é certo também que estamos mais prontos para sentir, pensar e agir de acordo com elas.

Ser espírita significa esforçar-se, perseverantemente, em mudanças comportamentais que venham de renovações internas no sentir e pensar.

Assim, quando uma dificuldade chega, sob qualquer forma que se apresente, deve o espírita olhar-se para dentro de si e observar como está sentindo a nova situação. Se perceber-se confiante no amor, na justiça e na sabedoria de Deus, confiante nos seus conhecimentos das leis divinas, vai agir com equilíbrio, pedindo ajuda aos Espíritos protetores, aos amigos encarnados, procurando enfrentar a dificuldade, consciente de que está vivendo uma experiência necessária ao seu crescimento espiritual e que a maneira como reage à situação é que vai ajudá-lo a encontrar a melhor solução.

Se, ao contrário, perceber-se revoltado, injustiçado, vai saber que os ensinos espíritas não penetraram no seu “eu” interior.

E aí, o que fazer? Estudar mais, participar mais das atividades do Centro Espírita, buscando o estímulo ao esforço de renovar-se, conversar com os companheiros de ideal, refletir mais e mais nos ensinos e exemplos de Jesus, trazendo-os para os dias de hoje, e acima de tudo confiar no amor e na sabedoria de Deus.

Fomos feitos para um incessante recomeço, podendo mudarmo-nos sempre, em qualquer tempo, em qualquer lugar. E é isto que a doutrina espírita nos pede.