O mundo precisa de Amor

O mundo precisa de Esperanto

 

NEUSA PRISCOTIN MENDES

de Ribeirão Preto, SP

 

Nos dias 12, 13 e 14 de junho de 2000, por sugestão daqueles que coordenam o meu trabalho profissional, eis que tivemos o privilégio de participar do II CONGRESSO INTERNACIONAL DE POLÍCIA COMUNITÁRIA E DIREITOS HUMANOS, em Ribeirão Preto, no teatro Pedro II.

Então tivemos a oportunidade de presenciar a explanação de profissionais ligados à Polícia do Brasil e de diversas outras partes do mundo, propondo, discutindo, descrevendo e analisando resultados ligados a uma nova maneira de organizar o trabalho da polícia. As novas propostas tendem a levar a polícia a uma ação participativa, integrada e integradora junto às comunidades, como elemento presente, educativo, estimulador, facilitador e sinalizador de ações auto-reguladoras de seus diversos segmentos, desfocando a sua ação do modelo meramente repressivo. Percebemos a tendência do trabalho policial de crescer no sentido da compreensão dos caminhos que levam a uma reorganização social, que privilegie as ações preventivas em detrimento das punitivas. Tal nova maneira de ver ganha mais e mais adeptos a cada dia, que observam a falência dos sistemas altamente desenvolvidos na direção da intolerância, do controle das ações delinqüentes e da simples punição dos culpados, hipertrofiando uma rede prisional superabarrotada, ingerenciável e geradora de agravamento no comportamento delinqüente dos indivíduos, o que cria o paradoxo de fazer com que o sistema traia a sua própria função, fomentando a gênese das mesmas ações a que se propõe a julgar e reprimir… Arrancou aplausos calorosos de um público que para tal se pôs de pé, o discurso iluminado e clareador de um dos representantes brasileiros, que chamou a atenção para o grave momento que vive o Brasil no que diz respeito a esta questão: ou revemos os nossos rumos, transformando ações meramente repressivas e punitivas que não tem efeito transformador sobre a criatura humana, que ao contrário cada vez mais estimula seus instintos ferozes, em ações preventivas e educativas ressocializadoras, ou não teremos condições de conviver com a agressividade destas criaturas, que nós próprios, como sociedade, agravamos e alimentamos…

Eis a vida convidando os homens, indiretamente, à prática do Evangelho, à aplicação da lei de amor e caridade, ao perdão… Ao enquadramento dos que delinqüem como doentes, necessitados de orientação e reajuste… “Eu vim para os doentes e não para os sãos, pois estes não necessitam de médico”, nos diz Jesus… Eis que a vida evolui, e convida as Instituições que cuidam da Sociedade a revisarem a si próprias, a transitar a Lei de Talião, do olho por olho e dente por dente, para a lei do amor, que cobre a multidão de pecados! Convidando o homem a dar a mão ao seu irmão, o próprio homem, e não a empurrá-lo para o abismo, sob risco de ser também tragado pelo mesmo abismo! É a lei de evolução que determina a influência do “ame a seu próximo como a si mesmo” na transformação das sociedades humanas, nos seus mais diversos segmentos…

No mesmo sentido aconteceram os discursos de profissionais da polícia do Canadá, França, Itália e Argentina, dentro da mesma linha de argumentação… porém, em que língua? No idioma que atualmente “está” mais internacional, ou seja, o Inglês? Não! Ocorreram na língua nacional de cada palestrante, e, com exceção do Português e do “Portunhol” da palestrante argentina, todos necessitaram de tradução simultânea: do Italiano (Itália), do Inglês e do Francês (Canadá) e novamente do Francês (França). Observando o público atento no momento das palestras, não vimos diferença no caso de cada uma das três línguas: todos munidos de seus fones de ouvido, captando a tradução simultânea do Inglês, Francês ou Italiano… Até nem parecia que uma dessas línguas, o Inglês, muitos consideram como a Língua Internacional definitiva… Eu com algumas colegas comentávamos como seria bom depois ter os textos traduzidos para rever argumentos de compreensão obscura, naturalmente comprometidos pelo desgaste, desconforto e discutível eficiência das traduções simultâneas (não estamos questionando a alta competência dos profissionais responsáveis pelas mesmas, as dificuldades são inerentes a tais condições).

Oh! Que saudade de um Congresso Internacional de que participamos em 1988 em Campos do Jordão! O salão pleno, uma platéia atenta ouvia então diretamente, sem fones de ouvido, sem tradutores, sem qualquer intermediação, discursos de brasileiros, alemães, franceses, ingleses, estadunidenses… Em uma língua que, não sendo de ninguém, era IGUALMENTE de todos! Utilizada, além dos discursos, nas excursões, na mesa do café e do almoço, nos quartos do hotel, nos banheiros, nos corredores… Que diferença! Quanta economia de dinheiro e outros recursos, quanta fluência na comunicação, que clareza na compreensão! Que língua? Esperanto! Nascida num impulso de fraternidade Universal, para que estrangeiros entre si se comuniquem fluentemente, olhando-se nos olhos, sem constrangimentos… Sem necessitar da intermediação de tradutores…

O mundo precisa de AMOR, e a sociedade humana vai despertando progressivamente para isso, as instituições propondo e efetuando revisão em sua maneira de interpretar fatos e fenômenos, de agir!

O mundo precisa de ESPERANTO, Língua Universal que não se impõe, mas se propõe, que não sendo de um interlocutor, não é também do outro, mas também não é de um terceiro, onde os interlocutores respeitam um ao outro num gesto de plena confiança, sem qualquer constrangimento… Para cada povo, a sua língua, para todos os povos, o ESPERANTO, para que o AMOR seja a base de todas as relações e o Reino de Deus se instale sobre a Terra!