Editorial

 

NAS PEGADAS DO CODIFICADOR

 

Ao analisar o comportamento de Allan Kardec por ocasião da constituição do Espiritismo percebemos que ele não só codificou a Doutrina Espírita, como também a divulgou, utilizando os recursos de comunicação da época: o livro, a oratória, a revista e a própria Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas que se constituiu num centro de convergência dos espíritas e num foco de pesquisa e irradiação do conteúdo doutrinário para o mundo.

Ao lado do desempenho de codificador e divulgador, existe em Allan Kardec outra face que, por vezes, passa-nos despercebida: a de unificador. Em todas as ocasiões, quer em Paris ou em outras cidades, não perdia a oportunidade de destacar a importância e a necessidade da tarefa unificada - isto é, às atividades doutrinárias e sociais que pudessem ser realizadas pela união dos espíritas e das sociedades, sob a coordenação de uma comissão central eleita pelos próprios centros. 1

Em várias oportunidades fazia simbolicamente alusão ao “feixe de varas”, como além de uma postura, seria um instrumento de defesa do Espiritismo e uma estratégia que favoreceria a própria expansão das idéias espíritas.

Ao se referir a esse trabalho unificado, deixou claro que os centros manteriam a sua individualidade e independência, uma vez que essa união seria estabelecida por um “vínculo moral”, assegurando união de sociedades e idéias. Com essa união fraterna, os centros seriam fortalecidos pela abertura de novas portas à dinamização de atividades e, sobretudo, à defesa ante as forças adversas.

Esse trabalho unificado defendido por Allan Kardec chega à nossa realidade, através da USE - União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Ribeirão Preto, que não mede esforços para realizar tarefas coletivas em favor do movimento regional, com reflexos no âmbito estadual, sendo o exemplo mais próximo a 7.ª Jornada de Unificação, realizada em agosto passado.

Allan Kardec, historicamente, lançou as bases desse trabalho unificado e certamente espera que, na atualidade, as sociedades dêem continuidade, entendendo que os objetivos essenciais da Causa Espírita vão além dos limites físicos da casa espírita, senão o próprio Codificador não recomendaria para determinadas ocasiões, o trabalho em conjunto.

A propósito desta estratégia, Emmanuel pondera: “Em todas as empresas do bem, somos complementos naturais uns dos outros. O Universo é sustentado na base da equipe. Uma constelação é família de sóis. Um átomo é agregado de partículas”. 2

Pense Nisso. Pense Agora.

 

Fontes:

1 - Obras Póstumas e O Livro dos Médiuns - Allan Kardec – FEB

2  - O Livro da Esperança - Psicografia de F. C. Xavier - Emmanuel - lição 69 - CEC