Recursos financeiros para o Movimento Espírita
Como conseguir?
ALKÍNDAR DE OLIVEIRA
de Indaiatuba, SP
Estamos vivendo um momento de júbilo no movimento espírita: vê-se há anos, no jornal de maior circulação do país, uma coluna periódica assinada por um dos mais renomados espíritas que o Brasil já conheceu. Frise-se: não é um jornal espírita. Fazer uma coluna periódica num jornal espírita é algo fácil e corriqueiro, mas conseguir espaço no jornal comercial de maior circulação do país, é trabalho somente para o espírita que sabe fazer acontecer.
Essa coluna de grande repercussão nacional vem ao encontro do desejo de Kardec, que em “Obras Póstumas” – Projeto 1.868, diz “(…) Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.
Percebeu, caro leitor, que Kardec, valorizando a importância da divulgação, reforça a necessidade de “uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados”? Felizmente, isso está ocorrendo. Estamos divulgando nossa Doutrina no jornal de maior circulação do país.
Você, caro leitor, talvez esteja perguntando “mas onde está essa coluna espírita, que não vejo?”, “qual é esse jornal, a Folha de São Paulo? O Estado de São Paulo?”, “quem é esse renomado colunista espírita?”
São reflexões coerentes e lógicas. Mas, por mais que você não viu essa coluna espírita em nenhum jornal de grande circulação nacional, a informação acima é verdadeira. Ou melhor, foi verdadeira. É preciso deslocarmo-nos no tempo e no espaço para que essa informação passe a ser realidade:
Na cidade do Rio de Janeiro, nas últimas décadas do século XIX, o jornal de maior circulação do país chamava-se “O País” (seria a Folha de São Paulo de hoje). Naquela época Bezerra de Menezes teve, nesse jornal de grande circulação, uma coluna espírita periódica por vários anos seguidos. Era uma coluna de grande repercussão nacional.
A triste realidade de hoje é que o feito de Bezerra de Menezes não está se repetindo. Não temos mais colunas espíritas periódicas no jornal de maior circulação do país. Será que não está faltando em nosso movimento espírita o espírito empreendedor de um Bezerra de Menezes, de um Eurípedes Barsanulfo, de um Cairbar Schutel?
Tive, caro leitor, que utilizar do artifício acima para relembrar, a todos nós espíritas, alguns itens fundamentais para o pleno desenvolvimento do nosso movimento:
1) Kardec deixou-nos, dentre outras, a missão de divulgarmos o Espiritismo nos jornais de maior circulação do país;
2) Essa missão, deixada por Kardec, tornou-se realidade em fins do século XIX;
3) Na atualidade, não estamos cumprindo com a missão deixada por Kardec.
Além de Kardec, André Luiz, no livro “Conduta Espírita”, diz “Divulgar em cada programa de rádio, televisão, ou programas outros de expansão doutrinária, conceitos e páginas das obras fundamentais do Espiritismo. A base é indispensável em qualquer edificação”.
Sobre o mesmo tema – divulgação – diz o espírito Vianna de Carvalho em seu livro “Reflexões Espíritas”: “Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretexto pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação…”
Mas como voltarmos a cumprir com a missão deixada por Kardec? Como passarmos a divulgar, semanalmente, por exemplo, uma coluna periódica no jornal Folha de São Paulo, no Estadão e em outros jornais de grande circulação?
A resposta todos nós sabemos: somente com muito dinheiro conseguiremos tal intento, pois, inserções periódicas num jornal de grande porte, é um investimento muitíssimo alto (e necessário, se quisermos seguir a orientação passada por Kardec).
Mas como conseguirmos dinheiro, se os espíritas, em relação a esse tema (dinheiro), são extremamente conservadores? Isto é, sabemos que qualquer sugestão de como conseguirmos dinheiro, que fuja da ineficiência atual, é categoricamente rechaçada.
Como criarmos uma nova ordem, novos procedimentos, para aproveitarmos da força do dinheiro?
A resposta a essas perguntas é dada pelos Espíritos quando Kardec, no O livro dos Espíritos, na pergunta 932 questionou: “Por que no mundo, os maus tão freqüentemente sobrepujam os bons em influência?” Resposta dos espíritos: “Pela fraqueza dos bons, os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. quando estes o quiserem dominarão.”
Numa dedução lógica podemos concluir que falta a nós, espíritas, audácia. Precisamos ser audaciosos. No tocante a como arrecadar dinheiro, somos muito de apenas aperfeiçoar processos que já existem. Isto é erro estratégico. Ao mesmo tempo em que se aperfeiçoa o que precisa ser aperfeiçoado, é preciso dedicar tempo a novas idéias. Quem gasta energia aperfeiçoando apenas os seus processos e produtos, perde o tempo que deveria estar sendo dedicado a novas idéias. Júlio Ribeiro em seu livro “Fazer Acontecer”, Editora Cultura, diz que “alguém pode até aperfeiçoar a vela, deixá-la mais translúcida, deixá-la com maior poder de luminosidade, mas ela nunca substituirá a lâmpada”. Em outras palavras, aperfeiçoar o que deu certo e o que foi bom no passado é - geralmente - perda de tempo. Nós espíritas, em relação, a como arrecadar dinheiro, estamos aperfeiçoando a vela. Esquecemos que estamos na era das lâmpadas!
Quando Herculano Pires disse “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra”, deixou de forma implícita que estamos alongando nossa estrada. Estamos deixando de fazer obras de vulto para a divulgação do Espiritismo. E, em qualquer obra terrena, o dinheiro têm importância especial.
Sem ferir a ótica e a ética espíritas, saber utilizar com inteligência e criatividade dos recursos que nosso mundo oferece, despirmo-nos de preconceitos, sermos audaciosos, conscientizarmo-nos de nossa grande responsabilidade, são as formas de fazermos do Espiritismo o mais importante movimento cultural e espiritual da terra.
E para isto precisamos da força do dinheiro.
Os Centros Espíritas geralmente não têm estrutura financeira para, entre outras coisas, fazerem-se mais presentes na comunidade. Passamos – sem querer – a ser omissos. Essa omissão dos espíritas, essa nossa falta de audácia, propicia espaço para que muitas pessoas ainda acreditem em Adão e Eva, para que muitas pessoas ainda vejam Deus como um ser antropomorfo, para que muitas pessoas ainda creiam que Deus castiga, para que muitas pessoas ainda valorizem mais o culto exterior do que o culto interior, para que muitas pessoas, como disse André Luiz, valorizem mais a letra do evangelho do que o evangelho da letra.