Momentos de emoção

 

FERNANDA RIPAMONTE

de Ribeirão Preto, SP

 

Sexta-feira, 17 de novembro de 2000, dezenove horas mais trinta minutos, estamos reunidos num salão repleto do Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo da Unificação Kardecista de Ribeirão Preto. A composição da mesa se faz com a presença de diretores da USE-RP, da Unificação Kardecista e de seus departamentos, das Academias Ribeirãopretana de Letras e de Letras e Artes de Ribeirão Preto. Rostos amigos de companheiros de ideal, de seareiros da casa e de admiradores. Somos todos admiradores do seguidor de Jesus que tanto respeitamos. Para ele, cantam as vozes de “Alvorada Nova” sob a regência de Abigail Castaldelli e o tenor Denizard Rivail Gomes, acompanhado ao piano por Adélia Gomes, declama versos tão significativos, Maria Lúcia Cardoso dos Santos. Após a saudação de Marcos André Papa, ele nos reúne, fala com a lucidez que tão bem conhecemos e a sabedoria que lhe conferiram os 93 anos de vida e outros tantos de outras encarnações. José Papa nos oferece um livro, o 12.° de sua lavra, os poemas que ele vem elaborando como forma de transmitir seu pensamento de cidadão, de evangelizador e de espírita. Seus temas, os do cotidiano, as lembranças; sua inspiração, as leis naturais, as leis morais... Sua dedicatória maior: à mulher, companheira dileta que ele reconhece detentora de imensos valores e executora de louváveis ações, pelos familiares, pelo próximo e pelos que deles se servem nesta existência. São servidores. José, Albertina e os filhos, Vera Lúcia, Marcos Vinícius e Elizabeth, quando partilham conosco as idéias, mensagens e exemplos, que sob a forma de poemas estão registrados neste livro, são servidores...

Retiramos do acontecimento muitas lições. Registramos algumas, outros podem ter percebido outras. A primeira delas, é a de que a idade nada significa quando o ser produtivo se doa e acalenta companheiros, filhos, netos e bisnetos no falar, no cantar e escrever, quando poderia tão somente se lamentar. A segunda é a de que o espírito supera as mazelas físicas e alça vôo a perpetrar a infinita fonte de bênçãos e inspirações que é o universo. Outras, como deixar uma marca de que a arte é importante como veículo eficaz de educação; como iniciar sempre qualquer trabalho agradecendo a Deus e aos mentores espirituais; como retribuir ao grupo os recursos emocionais que dele recebeu, mas, a maior lição, que vou guardar para sempre em meu coração é:

“Reúne a tua família sob o teu teto, compartilha momentos maravilhosos de instrução e doa o teu entendimento, toma em tuas mãos as mãos de todos e deposita nelas a tua sugestão cristã, aconchega-os ao peito e fala baixinho quanto os ama, cobra-lhe responsabilidade e firmeza de caráter e sobretudo sugere que distribuam seus bens, seus dons e sua fé.”