Pai Nosso - A Prece (1)
LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER
de Ribeirão Preto, SP
Ao proferir a prece ensinada por Jesus, síntese perfeita do que podemos louvar, pedir e agradecer a Deus, nós, Espíritos em desenvolvimento, caminhando da animalidade para a angelitude, precisamos atentar bem no significado de cada frase, visto que essa prece reflete, acima de tudo, um compromisso entre nós e Deus.
Sendo uma prece decorada, necessário é que estejamos bem conscientes das idéias nela contidas, no entendimento e na intenção de vivenciá-las, porque, toda vez que a proferimos, estamos reafirmando um compromisso de sentimentos, de atitudes e de comportamento com o Pai.
Reflitamos:
PAI NOSSO, QUE ESTAIS NO CÉU, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME.
O vocativo Pai nosso significa que compreendemos e aceitamos Deus como o Criador que continua envolvendo, sustentando, protegendo a sua criação: o Pai.
Nossa limitação intelectual e moral (segundo Emmanuel, estamos mais próximos da animalidade do que da angelitude) impede-nos de compreendê-lo em sua natureza e essência. Todavia, a sua obra aí está, mostrando-nos que antes e acima de tudo e de todos, existe “a inteligência suprema e a causa primária de todas as coisas”. Esta compreensão nos leva a ver e a aceitar que somos todos iguais na origem e na destinação.
Ao pensarmos ou dizermos “Pai nosso”, estamos reconhecendo que somos todos irmãos, criados da mesma maneira, tendo todos o mesmo potencial de inteligência e moralidade, a ser desenvolvido em longo processo evolutivo.
Estamos assumindo uma irmandade que deveria nos levar à solidariedade, à fraternidade, ao amor ao próximo.
Naquele que existe a intenção e o esforço do desenvolvimento desses sentimentos, essas duas palavras tornam-se um estímulo a essa luta interna de ver e sentir no outro, em qualquer outro, um irmão merecedor da nossa compreensão, da nossa simpatia, da nossa afeição.
Paulo, em Atos dos apóstolos, 17:28 disse: “Em Deus nos movemos e existimos”. Deus está,. pois em toda parte, mesmo nos lugares onde não é lembrado e suas leis não são reconhecidas, visto ser Ele que sustenta todos os universos.
Se n’Ele nos movemos e existimos, não há nada, nem ninguém, d’Ele distante. O que acontece é o homem não ter a percepção de sua presença, pelo não desenvolvimento, ainda, da sua sensibilidade espiritual.
Distantes ainda do desenvolvimento pleno, não conseguimos perceber Deus em nós e ao redor de nós. Mas Ele nos envolve, penetra-nos, constantemente. Cabe-nos, apenas, no desenvolvimento de nossa sensibilidade, no desenvolvimento do amor em nós, abrirmo-nos para essa percepção.
Ao dizermos “Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome”, lembremo-nos das palavras de Paulo e entreguemo-nos às vibrações e ao amor de Deus. Deixemos que suas energias amorosas se movimentem dentro de nós, para que possamos nos perceber n’Ele, a fim de vivermos, conscientemente, com Ele.
VENHA A NÓS O VOSSO REINO
Os próprios discípulos próximos a Jesus não entenderam bem, de que reino ele falava e, talvez, nem hoje ainda, tenhamos dele a compreensão total.
Todavia, toda a mensagem de Jesus é direcionada para esse reino, que está em nós, sendo desenvolvido. E é a partir desse desenvolvimento no interior dos homens, que a Terra será um dia, um reino de Deus, onde todos gozarão da felicidade que advém do conhecimento da Verdade, no exercício pleno de sua inteligência, sensibilidade e moralidade, sem necessidade da dor, do sofrimento, colaborando com o Pai, na sua obra, como acontece nos mundos felizes.
Esta frase demonstra o nosso reconhecimento, na compreensão possível, a nossa aceitação desse reino e a nossa intenção de conquistá-lo no esforço da vivência dos ensinos e exemplos de Jesus, pois sabemos que esse reino não virá por milagre ou pela graça, mas sim pelo esforço persistente e operante dos homens no bem.
Estamos solicitando que essa aceitação nos leve a perceber o seu amparo em nossa auto-educação, no uso dos recursos internos e externos, segundo a moral ensinada e vivida por Jesus.
‘Que esse reino se concretize na Terra! Que as lutas, os sofrimentos, as dificuldades, o trabalho, a convivência, a inteligência, a ciência, a arte, a religião, a filosofia possam educar-nos e a humanidade, na conquista desse reino de amor e sabedoria, a fim de que a Terra se transforme, neste milênio, em um mundo melhor, mais justo e mais feliz.
SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Talvez seja esta frase a expressão maior da aceitação plena do compromisso que assumimos com Deus, nesta prece.
Com ela, nós nos comprometemos a aceitar, consciente e totalmente, a nossa condição de filhos de Deus e suas leis perfeitas, sábias e justas, que expressam a sua vontade em relação à Terra e a nós.
Comprometemo-nos, também a aceitar a nossa responsabilidade em nossa evolução e na do mundo em que vivemos.
Nesta frase, despimo-nos da nossa vaidade, da nossa arrogância, do nosso orgulho e egoísmo, que tanto nos tem atrasado no processo evolutivo e, nos posicionamos como filhos frágeis e rebeldes que somos ainda.
Nela estamos ou deveríamos estar, ser humildes. E nessa humildade, podemos perceber melhor a beleza da vida e a sabedoria de Deus, que nos criou, a todos, simples e ignorantes, com a determinação de sermos, no futuro, provavelmente distante, verdadeiramente sábios, conhecedores da Verdade, sabendo usá-la, vivê-la com inteligência e amor.
É esta certeza que nos leva a dizer: “Seja feita a vossa vontade assim na Terra como no céu”, conscientes de que a vontade de Deus em relação a nós, expressa em suas leis, é sempre a do Bem que beneficie a todos. Jamais, a vontade de Deus é o mal a quem quer que seja.
Bibliografia:
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XXVIII, Preces Gerais.