André Luiz

 

DOMÉRIO DE OLIVEIRA

de São Paulo, SP

 

Pergunta-me gentil Confreira da nossa FEESP, qual seria a nossa opinião sobre o Nobre Espírito de André Luiz, no que tange à sua última romagem física, em nosso plano. Sabemos que, nos limites da nossa Doutrina, “interna corporis”, há duas respeitáveis correntes opinativas: uma delas diz que o Espírito André Luiz animou o corpo somático do Grande Médico Oswaldo Cruz. Sim, Oswaldo Cruz, célebre Higienista Brasileiro que viveu, em nosso plano, de 1858 usque 1917, tendo sido Diretor dos Serviços Higiênicos do Rio de Janeiro e graças ao seu grande saber e à sua extraordinária energia, a antiga capital do nosso País, felizmente, viu-se desembaraçada das epidemias da febre amarela. A outra corrente, parece-me que, mais numerosa, esclarece-nos que o Espírito de André Luiz viveu, aqui em baixo, na indumentária do Eminente Médico e Cientista Carlos Chagas. O nome completo deste grande Médico foi CARLOS RIBEIRO JUSTINIANO DAS CHAGAS, Mineiro Bom que sempre trabalhou e estudou em silêncio. Carlos Chagas tornou-se um Médico de tão expressivo renome que teve quatro indicações ao prêmio máximo da medicina ou seja o prêmio Nobel. Sim, foi Ele, Carlos Chagas, quem descobriu e apresentou à Comunidade Científica e Médica um novo parasita o protozoário Trypanosoma Cruzi, transmitido por um inseto hematófago, (que se alimenta de sangue). Diz mais Carlos Chagas que a doença que recebeu o seu nome, “doença de chagas”, começa quando o bichinho “barbeiro” se alimenta e imediatamente defeca. Os parasitas presentes nas fezes penetram a perfuração feita pela picada e chegando na circulação sangüínea, desenvolve-se em estágio crônico. Meus amigos, a “doença de chagas” é terrível e até hoje, em nossos dias, ainda não encontrou uma solução.

Em 1912, Carlos Chagas ganhou o prêmio SCHAUDINN, conferido a cada quatro anos, pelo Instituto de Doenças Tropicais de Hamburgo, (Alemanha), uma das mais expressivas condecorações, como reconhecimento ao enorme valor deste Cientista Brasileiro. Carlos Chagas, pela sua contribuição científica, pelo seu valor no campo da medicina, foi reconhecido no Brasil e no mundo. Ele veio ao nosso plano em 1878 e daqui foi embora para as Plagas da Espiritualidade em 1934. Foi embora, aos 56 anos de idade, com uma folha de serviços notáveis.

Lá, no Plano Maior, passou a adotar o pseudônimo de ANDRÉ LUIZ. Sob esse glorioso pseudônimo deu continuidade aos seus trabalhos, valendo-se dos maravilhosos Dons Mediúnicos do nosso querido Chico Xavier. Pelas mãos abençoadas de Chico Xavier e de Waldo Vieira, este Espírito Magnífico, através dos seus livros, vem nos transmitindo verdadeiras aulas.

Certa feita, encontrava-me na Fazenda de um Amigo e lá também se encontrava um famoso Médico, Catedrático da Faculdade de Medicina da USP. Por coincidência feliz, encontrava-se com o livro: “Evolução em Dois Mundos” da lavra do nosso festejado André Luiz. Então, abri o livro ao acaso, (se é que o acaso existe), e pedi ao Ilustre Médico que, por gentileza, fizesse a leitura de uma determinada página do aludido livro, O Professor atendeu meu pedido. Colocou os óculos e começou a leitura. À medida que ia lendo, notei que o semblante de meu Amigo tomava um aspecto de suma seriedade, balançando positivamente. Ao terminar a leitura, disse-me, com a sinceridade que sempre o caracterizou: — essa página não pode ser do Chico Xavier, pois a terminologia médica, os termos científicos, demonstram brotar de um Eminente Colega, de um Eminente Mestre de Medicina. O depoimento expressivo deste meu Amigo Professor de Medicina, por certo, deixou-me sumamente feliz, pois, confirmava, “ad satiatem”, a veracidade da mensagem psicografada.

Prezada confreira, posso afirmar, com segurança, que o nosso querido André Luiz foi Ilustre Médico em sua última romagem física. Em todos os seus livros, que chegam ao nosso conhecimento, André Luiz revela profundos conhecimentos de Medicina. Também, André Luiz, gentilmente, vai nos descortinando amplos horizontes no cenário do mundo maior, mostrando-nos que a vida continua e que lá do outro lado, por certo, há paisagens maravilhosas, há pássaros que continuam cantando, há flores que continuam desabrochando, e que os Amigos e Parentes encontram-se e uns estendem as mãos aos outros. Cada livro do nosso André Luiz é mais uma Fonte de Luz para iluminar as nossas mentes, Incansável Trabalhador, já nos legou livros magníficos, tais como:

1. Nosso Lar;

2. Os Mensageiros;

3. Missionários da Luz;

4. Obreiros da Vida Eterna;

5. No Mundo Maior;

6. Agenda Cristã;

7. Sinal Verde;

8. Libertação;

9. Entre a Terra e o Céu;

10. Nos Domínios da Mediunidade;

11. Ação e Reação;

12. Evolução em Dois Mundos;

13. Mecanismos da Mediunidade;

14. Conduta Espírita;

15. Sexo e Destino;

16. Desobsessão;

17. E a Vida Continua.

Além de dominar todos os meandros da Medicina, André Luiz revela-se um Belíssimo Escritor, apresentando-nos um estilo suave, objetivo e poético. Quando começamos a ler os livros de André Luiz, não podemos parar. Entretanto, os livros de André Luiz precisam ser lidos, meditados e estudados. Tão profundos são os seus livros que as nossas Faculdades deveriam adotá-los.

Agora, voltamos ao âmago deste nosso modesto trabalho: quem teria sido André Luiz na sua última romagem física? A resposta balança-nos o coração. Teria sido Oswaldo Cruz ou teria sido Carlos Chagas? Buscando paráfrase histórica, podemos dizer: “entre les deux, no coeur balance...” Mas, pelo que já lemos, pelos diálogos que já travamos com Confrades mais idosos, mais experientes, mais versados, pendemos para o lado daquela corrente que afirma que o Espírito de André Luiz, na sua última romagem física, teria animado o corpo somático do Eminente Médico e Cientista Carlos Chagas.

Enfim, meus amigos, embora tenha sido Carlos Chagas ou Oswaldo Cruz, para mim, isso não pesa muito na balança, mas o que pesa mesmo é o valor das suas obras, o valor do seu pseudônimo atual: ANDRÉ LUIZ - cujo trabalho vai se expandindo, cada vez mais, no céu do nosso respeito e de nossa mais funda admiração. Sim, meus amigos, duas Estrelas, de real grandeza, deverão brilhar sempre, no cárcere desta nossa pobre existência, ANDRÉ LUIZ e EMMANUEL.