Declaração de Bens

 

PEDRO HEBERT C. ONOFRE

de Ribeirão Preto, SP

 

No mês de abril, declaramos à Receita Federal, nossos valores, incluindo o ganho financeiro anual.

Nesse clima, avaliador do que conquistamos, ganhamos e gastamos poderíamos refletir: como seria, essa declaração, se os valores analisados se referissem às nossas ações? Dentre as inúmeras interrogações constaria: - quantas vezes, ajudamos, de fato, a alguém? - quantas vezes, seguimos o único caminho da “salvação”?

Certamente, lembraríamos sim, de alguns atos caridosos. Nossa mão esquerda é ágil em mostrar as realizações da mão direita, mas... será que fizemos tudo, segundo o nosso alcance? Correspondemos aos talentos recebidos?

Há que se ter cuidado, para que não nos escondamos na afirmação de que a caridade moral é mais abrangente e vale mais que a material.

A afirmação é preciosa, a caridade moral é imprescindível, entretanto, há inúmeras situações onde nos defrontamos com irmãos famintos, sedentos, com frio, sem direção, e que ao lado do conforto moral, faz-se necessário, providências materiais urgentes.

A assistência social, lado-a-lado, com a vivência evangélica, para que faça brilhar a claridade do Espírito ante a noite de sofrimentos.

Se atentarmos para o texto de Cáritas, no cap. 13:13 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sentiremos o clamor pelos aflitos e a exortação a um enorme trabalho para o qual todos somos convidados.

A união feliz e oportuna da caridade material e moral, aproximar-nos-ia ou nos tornaria em fiéis instrumentos d’Aquele que além de distribuir e ser luz para toda humanidade, “multiplicou” pães e peixes, em singela síntese da caridade real.

Acabamos de “prestar contas”, isto é, dar a César o que é de César. Assim, como esquecer de dar a Deus, o que é de Deus?