Paisagens astrais

 

LYBIO MAGALHÃES

do Rio de Janeiro, RJ

 

Por que o Senhor me fez assim?

De que esfera eu sou, de onde vim,

Em termos de futuro, o que me espera?

Torpeza insofreável noutros planos,

Ferida exposta, apupos, desenganos,

Cenários de nudez sem primavera?

 

Para quem a vida nada importa

Se lhe depara a Natureza morta...

Mas se não há desvãos pelo infinito

Embora sofreando o próprio grito,

Buracos negros, migrações austeras,

Induzem-no a viver noutras esferas...

 

A utópica glória deste mundo

Enseja o incauto e moribundo,

Estorcegar subidas e descidas,

Lembrando os Prometeus de muitas vidas...

 

Após a morte se depara o nada?

Mas lá em Nosso Lar, Nova Alvorada,

Entre avenidas, construções austeras

Onde transita a paz, a confiança,

Pululam safras vivas de esperança

Distantes das fadigas de outras eras.

 

Seria a divindade uma quimera?

Para quem desta vida nada espera

O que se segue entre a vida e a morte,

Senão o renascer como transporte?

 

Mas entre o burburinho e a quietude,

A fuga, pressuposto de virtude

Gera frieza, solidão e tédio,

Inibindo as ações que a vida encerra.

Omissão, corpo mole sobre a terra

Sopesa esperanças sem remédio.

 

Viver é uma inaudita construção...

Nem sempre a ação e a reação

Sugerem frustração, ambigüidade.

A vida não se escoa indiferente!

É a mesma substância, chama ardente,

Essência que reluz na Eternidade.