Auto-educação – 1

 

LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER

de Ribeirão Preto, SP

 

O verbo educar vem do latim educere (e = fora; ducere = conduzir) Assim, educar é conduzir algo de dentro para fora.

Educação é então, a ação de tirar de dentro de alguém ou de si, as potencialidades intrínsicas ao Espírito, através das experiências do viver.

Considerando ser o Espírito um ser imortal, indestrutível, criado simples e ignorante, com a determinação divina de fazer o desenvolvimento de suas potencialidades; trazendo em si a perfectibilidade, isto é, o conjunto de aptidões para realizar essa perfeição, através do uso da vontade no esforço de desenvolver-se para aperfeiçoar-se, percebemos que o homem não é ainda um ser completo. Traz em si a capacidade de transformar-se.

E é uma sensação maravilhosa quando nos percebemos diferentes em algum aspecto, quando alguém ressalta uma atitude nossa em determinada situação, que sabíamos ser difícil para nós, embora a admirássemos nos outros! Como é gratificante percebermo-nos agindo de uma forma, ainda que não seja habitual, que nossa razão determinava, por aceitá-la como certo, mas nossa imperfeição nos impedia de agir de acordo com ela! Como a vida se torna muito mais fácil e mais gratificante quando nos empenhamos em melhorarmo-nos internamente, desenvolvendo o bem que existe em nós, em potência, desde a nossa criação!

Como é bom percebermo-nos capazes de ser pessoas melhores, mais agradáveis aos outros, mais sensíveis, mais amorosas, mais serenas, não importando o tempo que levar para esta conquista espiritual! Quão efêmero nos parece então, o prazer proporcionado pelas conquistas materiais!

Para isso todavia, se faz necessário o despertamento para as necessidades e as possibilidades do Espírito, criado e existente para ser sábio e feliz. A certeza de Algo transcendente a que chamamos Deus, criador e provedor de tudo e de todos, perfeito nos seus atributos e qualificações, leva-nos a confiar em nós, Espíritos em desenvolvimento, com imensa dificuldade de compreender as sua leis, mas que vindos d“Ele, trazemos todas as possibilidades de mudarmo-nos, de transformarmo-nos sempre para melhor. Já fomos simples e ignorantes, somos ainda hoje, rebeldes às leis divinas das quais ninguém foge, tentando compreendê-las na sua finalidade de transformar-nos em sábios e amorosos, sendo o cumprimento dessas leis o único caminho para a felicidade tão almejada e desejada por todos.

A auto-educação é pois, uma tarefa que se impõe, queiramos ou não, a quem já possui o desenvolvimento intelectual que lhe permite usar a razão e o discernimento para distinguir o certo do errado, o que deve ou não fazer.

O mundo de hoje exige - e cada vez mais essa exigência se impõe – que o homem esteja alerta ao aprendizado constante, renovando seus conhecimentos, melhorando seu desempenho, aprendendo coisas novas, sendo pois estimulado à reflexão, ao raciocínio constantes para saber usar o que tem em benefício próprio e dos outros.

Quando eu era jovem, um diploma abria várias portas para o trabalho. Hoje, se o diploma pode ainda abrir portas, a transposição dessas, só será realizada se a pessoa demonstrar qualificações que a habilitem para a tarefa. E, mesmo após a entrada no campo do trabalho, a permanência estará sempre ligada ao aperfeiçoamento do indivíduo.

Hoje a vida exige um aperfeiçoamento constante, tanto no aspecto do aprendizado quanto no aspecto das qualidades pessoais, de caráter.

Vivemos assim, uma época maravilhosa de oportunidades de crescimento e desenvolvimento espiritual, justamente, pelas exigências da própria vida. E, se confiamos em Deus e em Jesus, temos de entender que se isso acontece, significa ter o homem hoje, as qualificações para lutar e vencer as dificuldades, transpondo supostos limites, estudando e aprendendo mais e mais, numa progressão jamais sonhada.

Se queremos ser mais felizes, precisamos estar conscientes de que a vida está exigindo uma conscientização maior da finalidade do viver na Terra: aperfeiçoamento de cada um, intelectual e moral.

Somos estudantes da arte e ciência do viver. Sejamos bons alunos, diligentes, com ouvidos de ouvir, olhos de ver, inteligência para apreender e discernir, sensibilidade para sentir o que, realmente, proporciona prazer duradouro a nós e aos outros.

Vivemos e convivemos com pessoas iguais a nós, nos sonhos, nas capacidades, nas potencialidades, embora nos desenvolvamos diferentemente, por causa do livre arbítrio de cada um, e essa convivência nos leva ao desenvolvimento moral.

Aproveitemos pois, usando a nossa inteligência e sensibilidade, essa convivência social para desenvolver as qualidades morais : paciência, tolerância, benevolência, solidariedade, fraternidade, simpatia, generosidade, tudo que possa nos tornar pessoas melhores, sem preocupação de julgar o outro, de saber se ele é merecedor ou não da nossa atenção. Procuremos educarmo-nos no trato com os próximos, aproveitando o tempo que estamos com eles, porque se assim o fizermos, estaremos desenvolvendo em nós o amor ao próximo que Jesus ensinou e exemplificou.