Força de um adjetivo
ORSON PETER CARRARA
de Matão, SP
Todo mundo sabe, conforme os dicionários e definições da língua portuguesa, que adjetivo é uma palavra usada para qualificar um substantivo. Então, como exemplo, podemos ter frutos saborosos ou alimentos saudáveis e mesmo pacotes pesados, etc., onde as palavras saborosos, saudáveis e pesados qualificam, respectivamente, os frutos, alimentos e pacotes.
Agora, notem os leitores, a força de um adjetivo. O que vamos expor a seguir é óbvio, mas raramente pensado ou explorado, e mesmo poucas vezes citado. Observe-se exclusivamente neste artigo a expressão Doutrina Espírita. Doutrina (que é um substantivo e significa um conjunto de princípios de um sistema religioso, político ou filosófico) e Espírita (que é o adjetivo que a qualifica). Por extensão, qualquer palavra que venha qualificada com o adjetivo espírita – como por exemplo, reunião, centro, grupo, movimento, livro, sessão, mocidade, encontro, congresso, etc. – já indica a vinculação com o Espiritismo, já que a própria palavra espírita é relativa ao Espiritismo.
Porém, há uma gravidade nisso tudo. Quando se adjetiva qualquer palavra com a qualificação de espírita, isto forçosamente gera conseqüências da mais alta importância. Vejamos: o Espiritismo é de tríplice aspecto (científico, filosófico, religioso) e portanto está alicerçado em princípios racionais (e portanto, concordantes com a lógica e a razão). Ao mesmo tempo, está distante de qualquer conotação mística ou ritualística e ainda sua aplicação e conhecimento tem efeitos morais no relacionamento de seus seguidores, visando ao aprimoramento interior.
Desse ponto de vista, conclui-se que quando se qualifica qualquer atividade ou postura, grupo ou ação de espírita, essas atividades, esses grupos, essa postura ou essa ação deverão estar coerentes e concordes com a própria índole do Espiritismo, que solicita clareza, ética, raciocínio, lógica, bom senso, discernimento e fraternidade. Se não tiver esses pré-requisitos, deixa de ser espírita, para ser qualquer outra coisa, menos Doutrina Espírita. Se denominamos uma reunião como sendo espírita, esta deverá ocorrer dentro dos parâmetros e princípios do Espiritismo. Se um grupo se auto intitula de espírita, o mesmo critério deve ser aplicado e assim sucessivamente.
É óbvio, não? Simples também! Mas, claro! É isso que nem sempre percebemos. Rotulamos nossos grupos e atividades de espírita e esquecemos de aplicar os próprios princípios da Doutrina Espírita que solicitam a lógica, o bom senso, a ética e principalmente o bem… inclusive entre seus próprios integrantes. Como admitir, por exemplo, uma atividade rotulada de espírita e com práticas estranhas ao Espiritismo? Como aceitar um grupo distante da fraternidade, denominando-se espírita? Ou mesmo distantes do estudo, da divulgação? E ainda exclusivamente mediúnicos…
Há que pensar… principalmente se considerarmos que também nos consideramos espíritas…
O compromisso é sério, grave, pede responsabilidade e seriedade. Pensemos nisso.