O valor da Vida

 

JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA

de Ribeirão Preto, SP

 

“O amor cobre a multidão de pecados” - Do Evangelho

 

O valor da vida - Reencarnação - papel da família (visão sistêmica) - aborto - lei de ação e reação

 

A existência na Terra não é um fim em si mesma, mas um meio, cujo fim é a evolução do Espírito. Somos Espíritos, animando um corpo de carne, para trabalharmos, aprendermos e desenvolvermos nossas potencialidades. Deus cria todos iguais, simples e ignorantes, com um potencial a ser desenvolvido. e nos dá tarefas para realizar este objetivo. No Livro dos Espíritos, questão 132, temos a pergunta: Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos? Resposta: Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição. Para uns é expiação, para outros provação, mas sempre para a evolução. Outra finalidade é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da criação. A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Portanto o Espírito, encarna com a finalidade de evoluir e cumprir sua tarefa, dar sua contribuição à marcha do Universo.

Para que o Espírito, ao encarnar, tenha possibilidade de realizar o projeto acima, Deus lhe dá o de que necessita, as condições necessárias, para lograr êxito em sua tarefa. Um fator importante, para auxiliá-lo, é a família. Sabemos que a família é planejada no plano espiritual, pois deverá reunir seus integrantes de maneira que uns possam auxiliar os outros, Nesse grupo, ajudamos e somos ajudados. A reunião em família nos facilita reconciliar com adversários; faculta oportunidades para que se repare transgressões às leis divinas, praticadas anteriormente. Numa visão sistêmica, sabemos quanto uma parte de um conjunto pode influenciar e receber influência das demais partes. Falamos em visão sistêmica, o que é “sistema”? É uma maneira de organizar a realidade em termos de seus elementos, partes e variáveis. Ou, com outras palavras: Sistema é um conjunto de partes interdependentes, com função determinada e compreende subsistemas entendidos como conjuntos menores que integram o sistema. Exemplo: o corpo humano é um sistema maior, constituído por vários sistemas menores, como: sistema circulatório, respiratório, digestivo, etc. Os sistemas sofrem mudanças e ajustamentos contínuos o que lhes conferem caráter de dinamismo. Tudo o que ocorrer em uma das partes afetará o sistema como um todo. Portanto, considerar o papel da família, numa visão sistêmica, implica em considerar que cada um de seus membros é uma parte do todo, e que a soma das partes é menor do que o todo assim considerado, tal a importância das partes umas sobre as outras. Seja como cônjuge, filho, pai, podemos influenciar para melhor, cooperar para que a família desempenhe bem o seu papel. Com isto, seus integrantes se beneficiam, educando-se, aperfeiçoando-se, e contribuindo para a melhoria do sistema maior, ou metassistema, que é a sociedade. Estamos na família certa, com as pessoas certas, para realizarmos nossas tarefas, ajudarmos e sermos ajudados, tudo em função de nossas necessidades evolutivas.

Tudo que fazemos, contrariando a lei divina, nos acarretará resultados dolorosos, não com a finalidade de nos punir simplesmente, mas de nos levar à compreensão da lei, e a procedermos melhor no futuro. Entre as faltas graves que podemos cometer, no uso do livre-arbítrio, está o aborto provocado. O Espírito é um ser interexistencial, vivendo simultaneamente no plano material e espiritual. E evolui constantemente. O direito à vida é inviolável. A vida humana começa na concepção. O casal tem o direito de programar o número de filhos que julga em condições de criar e educar. Mas ao evitar o filho, deve fazê-lo sem que ocorra a concepção. A partir da geração de um novo ser existe uma vida que precisa ser respeitada. Aborto, suicídio, eutanásia e tudo que fazemos contra a vida, nossa ou de nossos semelhantes, produz  resultados dolorosos para o autor e seus co-responsáveis. Se a pessoa já praticou o ato delituoso, se já transgrediu a lei, não deve alimentar sentimento de culpa. O erro faz parte do processo evolutivo. Todos estamos sujeitos a errar. E nossas ações têm atenuantes e agravantes. Se a pessoa errou porque não tinha conhecimento do assunto, se agiu levianamente por inexperiência, coagida pelas pressões sociais, e por terceiros implicados no caso, tudo é levado em conta. Ao tomarmos conhecimento de que erramos, devemos nos conscientizar do que fizemos, arrependermo-nos sinceramente, e buscar reparar o erro. Como? Realizando ações que possam compensar o mal praticado. No caso do aborto pode procurar ter outros filhos, ou, se não for possível, dedicar-se a cuidar de crianças carentes, e assim, por certo, estará aliviando a gravidade da falta cometida, O amor cobre a multidão de pecados - diz o Evangelho.

Façamos rápida reflexão sobre a lei de ação e reação, clara nos ensinos de Jesus e mal compreendida atualmente. As religiões que se consideram cristãs, ao recusar aceitar a lei da reencarnação, passaram a não entender, também, a lei de causa e efeito. No pequeno período que vai do berço ao túmulo não há como perceber todos os efeitos da lei. Ações que praticamos atualmente só vão produzir conseqüências no futuro, a curto, médio e longo prazo, bem como situações que vivenciamos na atualidade são conseqüências de causas praticadas no passado, às vezes, muito distante. O transgressor da lei pensa que não está sendo visto, ou que seus atos não estão sendo registrados. E, por outro lado, há quem desanime de fazer o bem por não ver resultado de suas ações. Tudo isto dado ao nosso grau evolutivo. Só vemos o presente, sem capacidade de uma visão maior, que abranja um maior período da vida. Contudo, não nos iludamos. O que plantarmos colheremos; quem com ferro fere, com ferro será ferido, Com a medida com que medirmos os outros, seremos medidos.