Auto-educação – 2
LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER
de Ribeirão Preto, SP
Na atividade da auto-educação, que só é iniciada após o despertamento da consciência para a percepção das necessidades e valores espirituais, o passo inicial seria a confiança em Deus, nas suas leis e nas possibilidades próprias. Quando existe essa fé, mesmo ainda frágil e vacilante, pode o homem trabalhar em si, a confiança em Deus na aceitação dos sofrimentos e dificuldades atuais, considerando-os como fazendo parte da vida, como conseqüência de faltas e desvios das leis divinas nesta ou em vidas passadas.
Resignando-se nessa aceitação, mas sabendo-se Espírito em desenvolvimento e confiando no seu potencial e nas suas possibilidades, tem a condição de não sentir-se vítima do destino ou dos outros, assumindo assim, a responsabilidade por essa ações cometidas num passado próximo ou longínquo, pelo seu livre arbítrio.
Só então, pode assumir sua auto-educação, sua transformação interna, buscando conhecer-se, nas qualidades e imperfeições, analisando-se sempre, com paciência e tolerância, mas esforçando-se para melhorar-se ainda que devagar, mas de forma perseverante.
Quando essa assunção acontece, o homem toma para si, a responsabilidade de reparação dos desvios cometidos e sente-se preparado para enfrentar os desafios que surgem em sua vida, na certeza de que já possui condições intelectuais e morais para enfrentá-los.
O importante é evitar cometer mais ou outros erros ou omissões, buscando soluções que não tragam novas conseqüências desagradáveis ou dolorosas, às vezes piores que as atuais.
A figura amorosa e sábia de Jesus, que nos mostrou as qualificações de um Espírito puro é e será sempre nosso modelo e nosso guia, lembrando de seu conselho “Vigiai e orai”, extremamente útil nessa fase de reparação de erros do passado, em que nós, os habitantes da Terra nos encontramos e, muito especialmente, quando decidimos enfrentar e realizar nossa auto-educação.
Vivemos em um mundo de expiações e provas, pela nossa necessidade de desenvolver nossas potencialidades, progredir sempre na busca da perfeição possível e reparar os erros cometidos no processo de evolução que fazemos como Espíritos, há milhares e milhares de anos.
Expiar faltas significa sofrer as conseqüências das mesmas, a fim de compreender-se a extensão dos males causados, aprender as lições e reparar os erros cometidos. Se, diante dos sofrimentos, não houver aprendizado e mudanças interiores, haverá necessidade de novos desafios.
Lembremo-nos todavia, que a lei de causa e efeito não se cumpre apenas através da dificuldade, da dor e do sofrimento. Podemos reparar erros através do bem, do amor ao próximo. Jamais Deus permitiria sofrimento pelo sofrimento; a finalidade da conseqüência dolorosa ou difícil, tanto quanto a causa da mesma, é sempre a transformação interna, substituindo-se, pelo bem, o mal que criamos e desenvolvemos dentro de nós. Se o homem já procura viver dentro da lei do bem, a expiação de faltas anteriores, que tem por objetivo o aperfeiçoamento do Espírito imortal, se faz também através de boas obras, seja em que campo de ação elas se realizem.
Provações significam testes, provas para aferir o progresso alcançado, a conquista já realizada. A Terra, mundo também ainda imperfeito, propicia condições para provas, através das quais o homem pode perceber o quanto evoluiu e/ou quanto lhe falta para melhorar-se.
Prova e expiações, conseqüências naturais do processo evolutivo, são, pois, se bem aproveitados, elementos de progresso para o homem e para o Espírito imortal, concorrendo para a sua auto-educação.
O espiritismo, sendo uma doutrina comportamental, porque leva o homem a querer transformar-se, a não acomodar-se no que é, para ser o que Deus determinou para todos os seu filhos, isto é, Espíritos, plenamente desenvolvidos em inteligência e amor, representa na Terra, a alavanca capaz de elevá-los, transcendentalmente, aos planos sublimes do trabalho com amor em favor de todos.
O espiritismo é educação, porque visa fazer sair de dentro do ser, as qualificações divinas inseridas por Deus na sua criação, em potencialidades a serem desenvolvidas. O espiritismo leva e estimula o homem a trabalhar na grandiosa tarefa de sua auto-educação.
Auto-educar-se, com o espiritismo, é caminhar no roteiro ensinado e vivido por Jesus, convivendo e trabalhando com todos, no cumprimento dos deveres próprios; no respeito aos direitos de cada um, esforçando-se para ver nos outros, pessoas iguais a si, lutando e trabalhando na busca da felicidade; desenvolvendo também as qualificações morais, que só se desenvolvem no relacionamento social, sem preocupação maior com o mal interno, mas sim, com o desenvolvimento do bem existente no “EU” interior, que necessita do esforço humano para desenvolver-se e transparecer nas atitudes e comportamentos.
Auto-educar-se significa também, ter paciência, tolerância e disciplina, muita disciplina, porque os resultados vão surgindo, muito lentamente, pois não se pode transformar-se em pouco tempo o que levou séculos e séculos para crescer dentro de si.
O importante e necessário é iniciar-se essa auto-educação e permanecer nela, onde estivermos, aqui ou no além, até que se conquiste o “Sede perfeitos…” que Jesus nos deixou como ideal a ser realizado por nós.