Editorial
MENSAGENS E LIVROS:
CAUTELA NUNCA É DEMAIS
Segundo fontes credenciadas e vinculadas às instituições líderes do movimento espírita brasileiro, estima-se que no Brasil, existem 8 milhões de adeptos do Espiritismo e aproximadamente 30 milhões de simpatizantes.
Estes dados explicam o alto grau de interesse de alguns escritores, editoras e distribuidores que se intitulam espíritas, em torno do livro espírita.
E o que se nota é que esse universo apresenta sinais de crescimento acelerado a cada ano que passa.
Esses dados demonstram que aqueles que lidam com a comercialização do livro espírita têm efetivamente 38 milhões de agentes multiplicadores gratuitos, que, pelo sistema clássico do “boca-a-boca” mantêm a divulgação dos produtos aquecida.
Este quadro até deveria ser motivo de contentamento: quanto maior for o número de livros ao alcance do grande público, melhor para o processo de expansão dos postulados espíritas.
Livro espírita quer dizer veículo de “cultura espírita”, codificada por Allan Kardec, revivendo os conceitos do cristianismo nascente.
Entretanto, o panorama não é tão tranqüilo assim: inúmeras obras surgem publicadas por editoras ditas espíritas, cujo conteúdo não condiz com os postulados espíritas e que acabam chegando às livrarias, feiras do livro, clubes do livro e finalmente no recinto do centro espírita.
É, nesse momento, que se torna importante e decisiva a participação ativa do dirigente espírita, no sentido de conscientizar os freqüentadores e colaboradores da casa espírita quanto à necessidade de estudo constante e aprofundado das obras da Codificação Espírita e das obras subsidiárias, sem as quais não se constrói uma plataforma cultural doutrinária espírita. No centro espírita, a referência para a leitura ou estudo deve ser sempre a obra genuinamente espírita. Fora do ambiente do centro, o assunto passa a ser de foro íntimo e particular.
Allan Kardec, em seu tempo, já se deparava com essa problemática e não hesitou em enfrentá-la. Na Revista Espírita de novembro de 1859 e maio de 1863, manifestou a sua preocupação e expôs a sua posição com os respectivos artigos: “Deve publicar-se tudo quanto dizem os Espíritos?” e “Exame das comunicações mediúnicas que nos enviam”.
Para conhecimento e reflexão do leitor, inserimos na presente edição o “CRITÉRIO DE KARDEC”.
O apóstolo João em sua Epístola 1.ª, 1V, v.4, afirma: “Não acrediteis em todos os Espíritos; vede se os Espíritos são de Deus”.
Por analogia podemos também afirmar, guardadas as proporções em relação à sabedoria de S. João: Não acrediteis em todos os escritores e pintores, vede se o quê expressam é compatível com o crivo da lógica e da razão sugerido por Allan Kardec.
Pense Nisso. Pense Agora.