Transformemos os problemas em desafios

 

LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER

de Ribeirão Preto, SP

 

O recém-nascido tem de adaptar-se em um meio totalmente diferente do que esteve até então. Daí em diante, até o final de sua existência terá sempre problemas, obstáculos e desafios que o obrigarão a manter-se em atividade constante, sendo a morte do corpo físico o último a ser vencido. Após o desencarne, a luta em vencer desafios continua…

Viver é lutar, é crescer, é transformar-se, é mudar a si mesmo e o meio exterior, é um aprendizado constante.

Por mais que alguém possa querer permanecer acomodado, não consegue; algo sempre surge que o obriga a mexer-se; pode ser qualquer coisa, muitas vezes, na forma de doenças em si ou em pessoa da família, qualquer coisa…

 E se assim é, por que não aproveitar os problemas para fazer cursos de aprendizado de reformulação de hábitos no sentir, nas atitudes, nos comportamentos?

Por que permanecer nas reclamações, nas queixas, nos lamentos ou nas tentativas de acomodação?

Geralmente usamos a palavra problema não no seu sentido de “qualquer questão cuja solução teórica ou prática cumpre encontrar”, mas sim no sentido figurado de “coisa inexplicável, incompreensível; de proposta duvidosa que admite muitas soluções; coisa de difícil explicação”. “A vida é um problema!”. E é nesse sentido que a estamos usando.

O que diferencia uma pessoa ativa, animada, otimista de uma desanimada, pessimista

é que a primeira vê um problema como sendo um desafio e a segunda vê um desafio como sendo um problema.

Desafio é, no sentido usual, uma provocação, um incitamento, uma estimulação, um despertamento.

Então, procuremos sempre ver nas dificuldades, nos obstáculos, nos problemas que a vida nos traz, como conseqüências da nossa imperfeição, que nos leva a sermos precipitados, imprevidentes, inconseqüentes em nossas atitudes e ações, desafios a serem vencidos com equilíbrio, bom senso, serenidade.

Porém, há problemas que não temos outra solução senão aceitá-los, aprendendo a conviver com eles. Geralmente, são provas difíceis, que nos cabe compreendê-las como necessárias ao nosso desenvolvimento espiritual, como oportunidades de crescimento, de auto-educação mais rápida. São desencarnes de pessoas queridas, doenças graves ou crônicas, dificuldades financeiras sérias, que provocam mudanças radicais nos hábitos da família, um parente de difícil convivência, que vem perturbar o ambiente familiar, etc.…

Estas e outras dificuldades, procuremos vê-las como desafios aos nossos sentimentos, emoções, inteligência, merecidas por nós pela colheita na transgressão da lei de amor, que acionou a lei de causa e efeito ou de ação e reação.

São, principalmente, a essas provas que nos referimos, quando propusemos, acima, usá-las como meios de fazer cursos de renovação de sentimentos, atitudes e ações.

Aceitando-as, lidando com elas da melhor maneira possível, procurando sempre meios de abrandá-las, num esforço de boa convivência, estaremos fazendo cursos de desenvolvimento de paciência, de tolerância, de resignação, de confiança nas leis de Deus.

Ao invés de reclamações, lamúrias e queixas, procuremos ver a pessoa difícil, a doença própria ou em pessoa da família, as dificuldades graves, como oportunidades de trabalhar em nosso favor, adaptando-nos à nova situação, esforçando-nos por suavizá-la, acionando a nossa vontade de aprender com ela, de doarmos o melhor de nós, refletindo nas leis divinas que nos levam a melhorar sempre, a cada dia. Uma situação dessas pode transformar uma pessoa irascível em uma pessoa mais serena, se ela se dispuser a trabalhar consigo ao invés de reclamar.

Aproveitemos todas as situações, todos os acontecimentos de nossa vida atual para transformarmo-nos, principalmente, no campo do sentimento, fonte de nossos pensamentos e ações.

O espiritismo veio para auxiliar a melhoria da humanidade. Se nós, os espíritas, não nos melhorarmos com seus ensinos, de que adianta ser espírita?