Disjuntor
ORSON PETER CARRARA
de Matão, SP
O articulista Robinson Soares Pereira, em artigo publicado na revista Reformador – edição de dezembro de 2001, página 366 – escreveu: “(…) cada pessoa deveria ter um disjuntor moral na língua, que desarmasse automaticamente, quando fôssemos falar mal de alguém e, assim, ficaríamos mudos, só retornando a voz quando fôssemos falar coisas boas daquela pessoa. Mas o disjuntor deveria ficar mesmo era no nosso cérebro, para que toda vez que um pensamento infeliz com relação a uma pessoa surgisse, ele se desligasse e nós não indignificaríamos a ninguém. Esse disjuntor chama-se autocontrole sobre o que pensamos, para que não falemos ou ajamos em desfavor dos nossos semelhantes. (…)”.
O comentário está no artigo É permitido Repreender os Outros…?, onde o autor analisa as repostas do Espírito São Luiz, a três questões propostas por Allan Kardec com o mesmo título. Utilizando-se da primeira resposta (constante do capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo), o artigo apresenta importante roteiro para palestras e comentários e claro que para uso individual de melhora pessoal. Há um exemplo formidável no texto: uma pequena estória onde “cada pessoa caminha na vida carregando duas sacolas, uma no peito e outra nas costas. Na do peito estão contidas as virtudes, e na das costas, os vícios. Cada um de nós só vê as costas dos que vão à frente, portanto, só os defeitos dos outros, esquecendo-nos de que os que vêm atrás de nós vêem os nossos defeitos também”.
O próprio Espírito São Luiz (1), nas respostas aos itens 19 a 21 do capítulo citado, pondera que antes de julgamos os outros, deveremos verificar se esse julgamento não nos cabe também. “A crítica irresponsável, o notar das imperfeições alheias, a maledicência fazem parte do cotidiano da grande massa da população terrena”, como pondera o autor do artigo e isto tem sido causa de colocar-se a perder muitas oportunidades, pelos atritos e afastamentos que provoca, prejudicando a causa maior a que estamos dedicando. Melindres, disputas, tem separado e destruído grupos e iniciativas, tudo por conta desse mau hábito que precisamos modificar, buscando inspiração nos ensinos dos Evangelhos.
Temos que admitir essa realidade, presente em todos os meios sociais, inclusive e infelizmente nos meios religiosos. Ela é responsável sim por muitas infelicidades no meio social. Chega de querer impor idéias, modificar os outros sob o nosso ponto de vista. Todos somos livres e desejamos ser respeitados como somos. Quem somos, aliás, para querer modificar o comportamento alheio, sabedores que não somos máquinas e sim seres pensantes, individuais, livres?
(1) Luís IX, rei da França coroado em 1226, com apenas 12 anos. Assumiu o poder pessoalmente em 1242. Sob orientação de sua mãe, tornou-se um soberano piedoso e altruísta. Está presente como um dos espíritos codificadores do Espiritismo.