Entrevista com José Raul Teixeira
Esteve de passagem por Ribeirão Preto no último dia 15 de março, o conhecido médium, orador espírita e autor de vários livros psicografados, José Raul Teixeira. Na ocasião dirigia-se ele para a cidade de Jaboticabal, onde naquela mesma noite proferiria uma palestra e no dia 16 - Sábado - cumpriria compromissos agendados na cidade de Araraquara.
No encontro, Raul, que como se sabe também é professor universitário na cidade de Niterói, residindo na cidade do Rio de Janeiro, concedeu rápida, porém carinhosa entrevista a equipe “Verdade e Luz”, a qual transcrevemos as principais partes:
V&L: Raul, qual sua visão a respeito da evolução do movimento espírita no Brasil?
JRT: “Felizmente temos acompanhado um crescimento da proposta espírita, no meio das sociedades variadas do nosso país. Temos tido ensejo de levar a mensagem espírita nos locais mais variados da sociedade, desde universidades, escolas, lojas maçônicas, núcleos militares, mostrado que está tendo uma série de oportunidades para que o espiritismo atenda aquilo que Allan Kardec recebeu dos Espíritos, conforme nos temos em “O livro dos Espíritos, na pergunta 798, quando ele indaga se o Espiritismo um dia seria crença geral e se continuaria partilhada por pequeno grupo de pessoas e o Espírito de verdade lhe responde que o espiritismo seria crença geral… então temos visto nosso país nessa dianteira do movimento espírita, ainda que aqui e ali, encontremos senões, dificuldades, inerentes à criatura humana, no seu estágio evolutivo, mas que no Brasil , o movimento espírita vem crescendo dia-a-dia”.
V&L: Na questão da preocupação cada vez maior das pessoas pela “paz geral”, a vivência cristã, qual sua visão disso?
JRT: “Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos Espíritos, na questão 780, sobre o progresso moral e o progresso intelectual, se ambos caminhariam juntos, e eles dizem-lhe que o progresso intelectual sempre ocorre primeiro e que nem sempre o progresso moral o acompanha. Isso significa dizer que nós precisamos primeiro dessas discussões teóricas em torno da paz, temos visto no mundo inteiro, devido aos acontecimentos violentos ocorridos, uma corrida para a paz, mas ainda é uma corrida em nível intelectual. As pessoas estão lendo muitos livros, está havendo muitos simpósios, congressos, conferências, mas há um espaço entre esse conhecimento teórico, essa constatação da necessidade da paz, e a vivência da paz, exatamente porque a paz não é um artigo literário, a paz não pode ser um partido retórico - A PAZ É UMA PROPOSTA DE VIDA ASSUMIDA. Enquanto nós formos pessoas que degladiemos dentro de casa - como pensarmos na paz do mundo? Enquanto formos pessoas de língua transformada em chibata contra o companheiro, como pensar na paz do mundo? Enquanto formos maledicentes, como pensar na paz do mundo? Então é preciso que nós, principalmente os cristãos espíritas, demos conta que a grande tormenta do mundo é a somatória das pequenas tormentas individuais. A medida que cada indivíduo se pacifique, o mundo vai alcançando a pacificação… já estamos ouvindo muitos discursos a respeito da paz, isso já é importante. Assim como Kardec coloca que antes de nos tornarmos espíritas temos que nos tornarmos espiritualistas. Antes então de vivenciarmos a paz é preciso falar dela, é o caminho, e, já estamos falando sobre ela”.
V&L: Qual então a mensagem para os companheiros de Ribeirão Preto e região que pode ser deixada?
JRT: “É sempre uma alegria muito grande estar nessa região, a qual visitamos já há bons anos, e dizer aos irmãos espíritas de toda essa região, que nós estamos vivendo dias excepcionais, dias importantíssimos, porque são dias de progresso no mundo em todas as áreas, seja nas áreas das ciências, nas áreas humanas. Porque ainda toda essa fogueira, toda essa turbulência, visa valorizar esse tempo. Ao invés de perguntarmos: Porque é que Deus me colocou nesses tempos?, devemos nos perguntar o que é que Deus quer de mim nesses tempos? Sabedor de que Ele não erra, que o Criador é a perfeição absoluta, nós estamos apesar de tudo nesses tempos, é porque nós temos alguma coisa a dar nesses tempos. É tolice eu tentar mudar de país, de casa, eu sair de onde estou, se eu não sair de mim, se eu não me transformo. Se eu estou sempre cheio de mim, não cabe mais nada. Se eu estou cheio de mim, eu não admito a palavra de ninguém, não admito o conceito de ninguém, eu não entendo ninguém, porque eu já estou cheio de mim. Então é preciso nós nos esvaziarmos de nós mesmos… Então é preciso que nós nos demos as mãos. O movimento espírita precisa se transformar numa grande família, não uma família piegas e emotiva, mas aquela família lúcida, sensível e equilibrada, sabedora do que está fazendo e porque está fazendo em prol de um mundo melhor, e, esse mundo melhor só existirá se começar pelo nosso mundo íntimo. Então quero deixar um abraço fraternal a todos os nossos irmãos dessa região e até uma próxima vez”.
José Raul, já recebeu convite formal por parte da USE - Intermunicipal de Ribeirão Preto já faz algum tempo, porém ele ainda não conseguiu agendar a visita devido esta estar bastante repleta, havendo o agravante da última greve no ensino universitário carioca, detalhe esse que conturbou um pouco mais sua vida.