Editorial

 

O melhor presente

 

Em 1864, nasce em Grafton, Virginia Ocidental (EU) uma bela menina ruiva que recebe o nome de Anna Jarvis. Com o passar dos anos, ao terminar os cursos da Faculdade Mary Baldwin, Anna dedica-se ao magistério. A mãe, viúva, possui boa situação financeira, o que garante vida tranqüila, inclusive, para Elsinore, a irmã cega. Alguns anos transcorrem e as três mudam-se para Filadélfia. Anna emprega-se como assistente do departamento de publicidade de uma companhia de seguros, aí vivendo dos vinte aos quarenta anos. Em 1905, a Sra. Jarvis morre. Anna conhece momentos de indescritível dor que marcarão nova etapa em seu viver.

Tutora da irmã e principal beneficiaria da herança materna, na saudade, uma idéia toma corpo: instituir um dia consagrado especialmente às mães.

Conversa a respeito com o prefeito de Reyburn, Filadélfia insistindo em que a homenagem envolveria em dia dedicado ao sentimento, à ternura, à devoção, aos afetos sem fim, tanto as mães vivas como aquelas que já tivessem morrido. Quem quisesse, ofereceria uma flor. Ela, homenagearia com um cravo branco, flor preferida por sua mãe.

Nesse pensar, transforma sua vela casa, em escritório diferente: dali partem cartas, mobilizando governadores, congressistas, industriais, clubes femininos. Respostas e contatos são mantidos com tal intensidade que Anna, deixa o emprego para dedicar se inteiramente à campanha. A casa transformada, torna-se pequena. Compra a vizinha, viaja atendendo aos convites das várias cidades. Fala em clubes, grêmios, escreve, imprime folhetos em inúmeras atividades, todas pessoais que lhe consomem grande parte da fortuna. Anna não permite preocupar-se. Continua no mesmo ritmo. Em 1914, sua eloqüência convence o deputado J. Thomas Helflin, do Alabama e o senador Morris Sheppard, do Texas. Estes, em conjunto, apresentam a proposta para que em toda nação americana fosse instituído um dia para homenagear às mães. Aprovado pelas duas casas do Congresso, o sonho se realiza, quando o Presidente Woodrow Wilson, assina em Lei que todo segundo domingo de maio (aniversario da morte da mãe de Anna) o país inteiro se uniria em carinhos oferecidos às mães.

Anna não descansa... era preciso conquistar o mundo... prossegue o trabalho, agora em escala internacional. Esse esforço é notavelmente bem sucedido, pois ainda em vida, acompanha quarenta e três países adotarem o “Dia das Mães” , entre eles o Brasil, quando em 05 de maio de 1932, o então chefe do governo provisório, Sr. Getúlio Vargas, pelo decreto 21.366, institui o segundo domingo de maio como o “Dia das Mães”.

A satisfação de Anna Jarvis, em breve, se torna frustração que a faz escrever desesperada a centenas de jornais buscando esclarecer, despertar, refletir — “Parem! Estão comercializando o Dia das Mães”. Não é esse o Espírito, o objetivo, a idéia. A festa é do sentimento... não pode, não deve haver diferenças entre homenagens à mãe pobre e a festa da mãe rica... A expressão é o afeto, o coração a vibrar em amor... ”

Nesse afã, em 1925, entra decidida em um hotel na Filadélfia, onde o grupo da Associação de Mães dos Veteranos de Guerra, vendia a preços extorsivos cravos brancos, com os quais, conclamavam o povo as homenagens do domingo próximo. Anna censura-as duramente. Tentam interrompê-la. Obstinada, o policial chamado, prende-a sob a acusação de perturbar a ordem.

Esclarecidos os fatos, o juiz a liberta. Dias após, um repórter a visita. A bela mulher de cabelos brancos, sessenta anos, sentada na cadeira de espaldar alto, detém absorta, o olhar no retrato da mãe.

“O jornalista pergunta-lhe”:

— Por que a Sra. não desiste? Está lutando sozinha contra interesses. Orgulhe-se; a Sra. é a criadora do “Dia das Mães”!

— Transformaram-no num comércio sórdido reponde. O “Dia das Mães” foi aviltado por indivíduos e organizações que vêm nele um meio de ganhar dinheiro, “Dia das Mães” é dia de sentimentos, reencontros e não de diferenças, preocupações, dívidas e lucros!”

Prossegue na luta. Vê-se pobre e só. Recolhe-se à sua casa na Rua 12 Norte. Leva Elsinore pela mão e fecha com firmeza a porta às suas costas. Recusou-se a receber quem quer que fosse, lamentando ter criado o “Dia das Mães”.

Não muito tempo se passa e Anna Jarvis é levada para o sanatório da Praça Marshal, em West Chester, Pensilvânia, onde morre.

Wallace Leal V. Rodrigues através da psicografia de Francisco Cândido Xavier conta que Anna agora na vida espiritual pede-lhe que escreva no sentido de se restabelecer o espírito abastardado do “Dia das Mães” perguntando-lhe:

— “E uma maldição que os homens mercadejem com tudo quanto é belo, nobre e puro? Por favor, peça aos espíritas, que conjuntamente ao Natal, retirem o “Dia das Mães” dos balcões e caixas registradoras. Enfeitem-no de bondade e alegria: contabilizem-no no coração. Eles podem fazer isso!

A história em reflexões está passada no convite à ternura plena, a ser oferecida à mãe pobre, rica, casada, solteira, encarnada, desencarnada, jovem ou não, em pérolas de gratidão iluminadas pelas preces que se oferecem a Deus, pela felicidade de cada uma delas, onde “(...) o próprio coração lhe é ofertado por dádiva sincera num ramalhete de amor”.

Pense nisso! Pense agora!