Editorial

 

Obrigado, Ribeirão

 

O dia 19 de junho marca o aniversário de Ribeirão Preto. São 146 anos de emancipação política, desvinculação do então macro município simonense, ainda nos tempos do império, em época de imigração e da cultura do café na região.

Com mais de meio milhão de habitantes, somado a milhares de flutuantes que se servem de seu comércio, indústria, universidades, hospitais e laboratórios, centros de cultura e lazer, dando vida a uma metrópole pródiga em trabalho e realizações, Ribeirão é importante centro regional e polo de distribuição nacional.

Esta cidade, de maneira natural e espontânea, recepciona o raio de sol que é o Espiritismo. Os historiadores apontam para o final do século dezenove a chegada das primeiras notícias e obras espíritas. Há dados desde 1892 relatando estes fatos. O avanço dos trilhos da Mogiana, foi meio para o encontro com imigrantes europeus e famílias vindas de Uberaba, Campinas e São Paulo que, buscando trabalho e riqueza, traziam na bagagem a semente espírita.

No início, o Espiritismo era praticado em casa. Até a metade do século passado, as reuniões familiares propiciaram o surgimento das primeiras sociedades, voltadas para a prática da mediunidade, e postos de atendimento homeopático e de difusão espírita, através correspondência e boletins noticiosos. As orientações eram buscadas na capital do estado e do país.

O tempo produziu o fruto. Na metade do século vinte, as sociedades nascentes buscaram a aproximação e a união. A característica individual do trabalho, evoluiu para o coletivo e as associações. Nos 146 anos de Ribeirão Preto, a comunidade espírita mantêm na atualidade mais de sessenta núcleos ativos na cidade e região, voltados ao estudo e esclarecimento, estando entre eles, casas de atendimento à criança e ao idoso, centros educacionais, grupos assistenciais e de caravanas da fraternidade Auta de Souza, bibliotecas e livrarias espíritas, jornais e boletins, bancas do livro espírita.

A cidade está entre as pioneiras na realização de festivais de teatro e semanas em locais públicos, recepcionando nomes de expressão nacional para a divulgação espírita. Nela foram iniciados os movimentos das confraternizações Auta de Souza (Concafras - década de 50), feiras de livros espíritas em locais públicos (anos 60), concentração de mocidades do nordeste paulista (1964), concentração estadual de mocidades (1967), confraternização regional da família (anos 80) e a série de congressos paulistas (USE) voltada à casa espírita (1992).

Aqui a ação espírita identifica-se, com sinergia, com as ações da comunidade.

O aniversário de Ribeirão é assim motivo de comemoração. Anelados à terra, registramos a ela a gratidão pela bênção da oportunidade de trabalho na divulgação do ideal espírita. Saibamos nela combater o orgulho e o egoísmo, desenvolvendo a capacidade de amor ao próximo, pois “a medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais”, e este é o único caminho (bom presente) para “reformar as instituições humanas”.

Pense Nisso. Pense Agora.