O sentimento de culpa, por si só, apenas traz sofrimento e angústia. Necessário elimina-lo através das atitudes e ações reparadoras
As marcas da culpa
JOSÉ LUÍS LUCIANO
de Ribeirão Preto, SP
Será que quando erramos ou ofendemos alguém, basta o simples pedido de desculpa informal, habitual da boca para fora?
Se o mesmo nos acontecesse, pediríamos satisfações, exigiríamos reparações, não daríamos importância, ou manteríamos o sentimento oculto da culpa?
Em qualquer dos casos, essa última hipótese é comum acontecer, pois decorre de situações aparentemente corriqueiras como:
• falta voluntária a um compromisso, obrigação ou princípio ético.
• transgressão, violação ou inobservância de uma regra, conduta ou direito, enfim,
• decisões, atitudes, atos, que, evidenciando conduta negligente ou imprudente, resulta em lesão para o direito alheio.1
Ressalte-se que, pode nem conter a intenção deliberada; ainda assim, constitui-se como ação provocando reações que só se extinguirão nas recomposições decorrentes.
Às vezes, o lesado nem sabe claramente quem o atingiu. O autor porem não consegue esconder-se, a consciência aponta, instabiliza e a culpa instalada torna-se cadeia sem paredes ou grades, mais cruel que as celas físicas das penitenciárias e prisões.
Situações geradoras de culpa, tanto para quem age como para aquele que a recebe, pode encontrar-se no lar, nas atitudes impositoras onde o querer de um, subjugar na chantagem emocional. Um exemplo simples: filhos, familiares que encontrando trabalho ou escola em outra cidade, ou se casando, desejosos de estruturar, formar uma nova vida, são impedidos ou constrangidos em nome da gratidão que devem, da saudade, do “amor” a mudar de planos, ficar e abrir mão de ideais.
“Na Era do Espírito” 2, há a esse respeito reflexões constando que “(…) se eles querem levar vida independente, insista com delicadeza e amor atestando a excelência de seus sentimentos, mas, sem imposições. Não impeça que ela vá adiante. Se lhe pede para tentar por conta própria, não lhe recuse a benção da existência pessoal. Se você criar impedimentos, vencido o egoísmo, amargará ter a presença do corpo com a alma distante, caso não se volte contra você, envenenando-lhe a alma. Não constranja pessoa alguma a viver com você, seja amigo, afeto da alma ou familiar. Todo prazer conseguido mediante a imposição no abuso da confiança do próximo, tem preço muito alto (…)”
Se você se sente preso de algum modo pela culpa, o alvará de soltura deve ser assinado por você. Acerque-se da pessoa a quem você prejudicou e nas desculpas pedidas, demonstre o sincero arrependimento, buscando sob todos os aspectos reabilitar-se mediante uma ação salutar em favor do ofendido.
Se ele lhe perdoar, siga em frente, enriquecido agora pela experiência. Se ele não lhe facultar desculpas, entenda-o; dê-lhe esse direito, ore, vibre, em sua intenção, não se detenha, prossiga amando-o com o maior desvelo, para que num tempo de futuro, as atitudes do amor, convençam-no da sinceridade dos propósitos.
Não abrigar, cultivar ou se deter na culpa, mas partir para as reparações, desenvolvendo o senso do respeito ao direito do outro, nas atitudes do amor, geradoras desse respeito nas explicações, correções e direcionamentos dos enganos, estruturadas estas decisões no propósito das mudanças e recomeços reais.
Bibliografia:
Dicionário Aurélio – pág. 190
PIRES, José Herculano. Na Era do Espírito - cap. 23
FRANCO, Divaldo Pereira/Marco Prisco. Momentos de Decisão