Considerações sobre o Amor

 

LEDA DE ALMEIDA REZENDE EBNER

de Ribeirão Preto, SP

 

No mundo em que vivemos, no estágio evolutivo dos habitantes deste mundo, o AMOR VERDADEIRO, ensinado e vivenciado por Jesus é a meta que todos devemos alcançar para a obtenção da paz e da felicidade almejadas por todos.

Jesus, o Espírito mais perfeito que aqui viveu, não faria esse sacrifício imenso de viver em um mundo inferior, identificando-se pelo seu viver como guia e modelo para esta humanidade, se não houvesse a possibilidade dela melhorar-se, aperfeiçoando-se em inteligência e moralidade.

Assim, a nossa Terra só será um mundo mais justo e mais feliz, quando sua humanidade for constituída por Espíritos voltados para o bem de todos. Isso só se dará quando a maioria dos seus habitantes estiver conscientes de que só o amor, no exercício da fraternidade, da solidariedade, indica à inteligência as regras da convivência entre os mesmos e as regras do aproveitamento do produto intelectual e científico para benefício de todos, estiver empenhada no desenvolvimento deste sublime sentimento, dentro de si.

Quando isso se der, a minoria envergonhada, se transformará também; e os que não aderirem, reencarnação em algum mundo primitivo, como a Terra já foi, para recomeçar seu desenvolvimento moral.

O desenvolvimento do amor verdadeiro deve pois, ser o objetivo de todos os que já perceberam que “só o amor constrói”, que violência sempre gera violência, que as divergências devem sempre ser resolvidas por meios pacíficos, legais, iniciados pelos que têm maior compreensão dos valores espirituais, ou pelo que se julga vítima, porque se este responde a um ato violento por outro semelhante, demonstra ser igual ou pior que seu agressor, em evolução moral.

Quanta coragem existe no que, em sendo agredido, ofendido, procura com serenidade, dialogar, tentando esclarecer o outro dos seus motivos, das suas boas intenções e, quando percebe não ser isso possível no momento, cala-se e parte, deixando para mais tarde o esclarecimento necessário!

Como desenvolver o amor em nós?

Em primeiro lugar, ter a certeza de que esse sentimento existe no Espírito, em potencial, desde a sua criação, e que já o estamos desenvolvendo, na vida de relação, até então, de forma mais ou menos inconsciente. Outra certeza que temos de ter é a da perfectibilidade do homem : o Espírito tem dentro de si a capacidade de aperfeiçoamento, de progresso, de transformar-se sempre, de tornar-se perfeito.

Com a conscientização da necessidade desse desenvolvimento para alcançarmos, um dia, a paz e a felicidade e de que a nós cabe essa tarefa, querer realizá-lo acionando a Vontade, é o próximo passo.

Daí em diante fica então, tudo fácil? Não!

Mais fácil é deixar continuar as coisas como estão. Só que sem o esforço do trabalho, as mudanças não acontecem. E se queremos ser felizes, se queremos viver em um mundo melhor, temos de trabalhar dentro e fora de nós., porque na medida em que uma pessoa se esforça por melhorar-se, ela, mesmo sem pretender, torna-se paradigma para os demais.

Precisamos saber que, ao iniciar a tarefa do desenvolvimento consciente do amor dentro de nós, vamos fazê-lo de acordo com nossas possibilidades; vamos continuar nos equivocando, tropeçando, caindo em erros e obstáculos, mas vamos também acertando de vez em quando, corrigindo melhor os erros, evitando-os mais vezes, levantando-nos mais depressa nas quedas e - talvez o mais importante - vamos nos pegando em flagrante.

Pegar-se em flagrante é uma conquista muito grande, porque antes, nem percebíamos que errávamos, achávamos que os outros é que cometiam erros! Tínhamos sempre alguém ou alguma coisa para culpar.

Pegar-se em flagrante auxilia o desenvolvimento da humildade em si e da tolerância com os erros alheios. Embora nos faça sentir vergonha dos nossos atos equivocados, dá-nos uma sensação de abertura intelectual em relação ao conhecimento de nós próprios e dos demais.

Penso até que existe nesse ato uma sensação de independência, de liberdade em relação aos juízos dos outros, na percepção de que já estamos sendo capazes de julgarmo-nos a nós próprios, sem necessidade de que outros nos alertem, pelo menos no fato em que o flagrante acontece. Como é bom e proveitoso pegar-se em flagrante quando se comete erros e melhor ainda quando isso acontecer sempre, toda vez que infringirmos a lei divina!

O pegar-se em flagrante nos equívocos desperta e estimula a vontade de acertar, de errar menos, de não mais repetir as ações desagradáveis e, isso é muito importante, porque nos leva a sentir prazer no esforço de melhoria interior. E quem trabalha com prazer, o faz melhor, com mais facilidade! Passa-se então a pegar-se em flagrante também nos acertos, o que, neste estágio de evolução, é necessário para a continuidade do esforço na tarefa de desenvolvimento.

Sabemos que uma virtude só é considerada conquista, quando vivida de forma natural, sem que haja a intervenção da razão ou da vontade, quando quem a pratica nem se esforça para tal, ou nem percebe quando a expressa.

Nós porém, que somente agora estamos sendo despertos para esse esforço de elevação espiritual, que percebemos o quanto é difícil mudar dentro de nós o que levamos séculos e séculos para construir, em orgulho e egoísmo com seus derivados, precisamos também perceber nossos pequeninos progressos, para sentirmo-nos estimulados na continuidade desse gigantesco esforço de transformação íntima.

O estudo perseverante e metódico do espiritismo leva o homem a ver-se como é, ao mesmo tempo que o estimula a perseguir o ideal cristão de amar o próximo como a si mesmo, fazendo ao outro somente o que deseja para si.

Continuemos pois, no esforço de desenvolver o sentimento do amor dentro de nós e sejamos, a cada dia, melhores pessoas, melhores pais, melhores filhos, melhores irmãos, melhores amigos e melhores cidadãos!