Conceito de beleza
A beleza interior irradia-se mesmo através de um corpo sem beleza
EDDER PINHEIRO RANGEL
de Ribeirão Preto, SP
Autores, escritores diversos, no decorrer dos tempos, quando se referiam à forma física de Jesus, costumavam descrevê-lo como sendo um belo homem; de porte esguio, em equilíbrio de linhas e formas.
Originar-se-ia, nesse campo externo o impacto que sua presença causava, destacando-se dos demais?
Como entender o desespero com que se procura a beleza física?
A busca pelo equilíbrio de formas, foi no decorrer das eras, destacando-se como objetivo e desejo dos povos, chegando nos dias atuais a tal prioridade que sua busca desenfreada parece alcançar o auge.
Qual seria a razão dessa quase obsessão pelo corpo perfeito, pelo rosto belo?
Presos ao imediato e ao exterior, imaginamos as facilidades que esses atributos podem atrair. Entretanto, se entendermos que esse aspecto exterior é passageiro e efêmero, constituindo-se como necessidades a serem dinamizadas no bem entenderemos a perfeição de linhas como campo delicado, freqüentemente gerando inveja, ciúme, orgulho, cobiça, vaidade, desprezo, soberba, enfim desafios que esse espírito terá que ter muita cautela para administrando-os bem, crescer, sobrepondo-se a eles.
Uma aparência física brilhante não garantiria então a felicidade?
Não. Normalmente assegura sim, pelo que pudemos refletir acima, preocupações necessárias à manutenção de uma matéria em constante desgaste. Como em todas as circunstancias do momento evolutivo, na condição de encarnado, beleza física também é trabalho, como outras circunstancias com as quais cada um convive. Não cabendo, portanto, nem o desespero na busca, nem a revolta, caso não se disponha dela no momento. Pois, quem não a detém hoje, talvez esteja desenvolvendo outros valores para no futuro dispor dela sem quedas. Fruirá então o homem de felicidade, de verdadeira beleza, na paz interior, em face de sua forma de ser diante da vida. Alegria, júbilo, contentamento, independente de atributo físico e até mesmo de saúde. Não raro encontramos pessoas que sob nossa apreciação teriam todos os motivos para se lamentar e, no entanto exteriorizam alguma coisa íntima, que não permite enxerga-los como feios, infelizes ou fracos.
Se Jesus, portanto, é descrito como um belo homem, refletia nos traços físicos, a delicadeza da essência, o conjunto ideal que todos um dia alcançaremos. Tão verdadeira é essa premissa, que em nenhum momento o surpreendemos vaidoso, antes exemplificava humildade. Podia ter sido servido, mas preferiu servir, podia ter destruído seus detratores, mas perdoou-lhes as ofensas, sofrendo toda a sua incompreensão, própria do modo de ser de Espíritos ainda embrutecidos. Servindo de modelo e guia, não se deteve como uma aparência bela, mas exteriorizava a verdadeira beleza, que está muito além do que os olhos desatentos habitualmente podem perceber. Ainda aí, permanece Jesus como exemplo, a mostrar a importância de que se atente e cultive a beleza interior que, conseguida pelos hábitos no bem, irradia-se no ser com tal luminosidade, energia, delicadeza e força, diluindo a dureza dos contornos físicos e exteriorizando a beleza real impregnada no campo vibratório do Espírito Imortal.
Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - 2.ª Parte
KARDEC, Allan. Obras Póstumas - Teoria do Belo