Na fonte do Bem

 

JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA

de Ribeirão Preto, SP

 

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos (…)“ Paulo (Gálatas, 6:10)

Emmanuel, pela psicografia de Francisco C. Xavier, no livro “Palavras de Vida Eterna”, cap. 129, analisando o versículo acima, lembra que não é só com dinheiro que podemos auxiliar. O professor recebe o seu salário, mas ninguém pode pagar sua dedicação e sacrifícios quando se entrega, com amor, à nobre tarefa de educar. Existem honorários para as atividades médicas, mas o devotamento do missionário, em socorro dos enfermos, transcende qualquer compensação material. O estímulo ao trabalho, o sorriso fraternal, a gentileza sincera não são vendidos nas lojas de comércio. E conclui o sábio instrutor espiritual: “O apóstolo Paulo reconhece que, às vezes, atravessamos grandes ou pequenos períodos de inibições e provações, pelo que nos recomenda: enquanto temos tempo, façamos o bem a todos; contudo, mesmo nas circunstâncias difíceis, urge endereçar aos outros o melhor ao nosso alcance, porque, segundo as leis da vida, aquilo que o homem semeia, isso mesmo colherá”.

Não há pessoa que não possa fazer o bem. O que falta é compreender que o nosso próprio bem resulta dos benefícios que proporcionamos aos outros, porque a vida nos dá exatamente aquilo que lhe damos. E entender também as possibilidades existentes em todos nós. Não subestimar nossos recursos. Como diz Emmanuel, o sorriso, a gentileza, um pequeno serviço, ouvir alguém, todos podemos fazer. Num presídio, onde falta a liberdade, e as companhias até hostis parecem impossibilitar as realizações no bem, permite comportamentos diferenciados. Registra a bíblia que José do Egito, recebido no cárcere como criminoso vulgar, conseguiu transformar a prisão, ajudando prisioneiros e mesmo guardas, edificando o bem.

Nossas intenções de transformação íntima, para melhor, produzem resultados modestos, quase imperceptíveis. Isto porque a evolução não dá saltos. “Em sua trajetória evolutiva, a média da humanidade terrena encontra-se mais próxima de seu ponto de partida (a animalidade) do que do seu ponto de chegada (a angelitude). No estágio em que a maioria da humanidade se encontra, é preciso fazer o propósito de dar mil passos na direção de Jesus para efetivamente, conseguir dar um. Isso não deve significar desânimo para ninguém. É a realidade. Entretanto, dado o primeiro passo, o segundo tornar-se-á mais fácil e assim sucessivamente”1. Um dos aspectos importantes para nossa caminhada evolutiva é a aceitação. Aceitar o que a vida nos oferece; obedecer ao que nos enviam os desígnios superiores. A vida é um bem precioso. E tudo acontece de acordo com as leis divinas, salvo nossas atitudes, no uso de nosso livre arbítrio, portanto de nossa inteira responsabilidade, muitas vezes contrariando à lei. A causa do bem ou do mal, de tudo que nos ocorre, está em nós mesmos. Os acontecimentos agradáveis são resultado de conquistas, do que já aprendemos, e nos animam a prosseguir. Os fatos desagradáveis, que chamamos de “mal”, são lições, oportunidades para aprender. As vezes nos rebelamos, julgamo-nos injustiçados, mas isto é fruto do nosso atraso, do nosso desconhecimento das leis divinas. Todas as experiências são para nossa evolução. Alguns supõem ganhar e perdem; outros parecem perder e ganham. É bom aceitar os desafios, pois as dificuldades surgem para nos promover, e não para nos destruir. As vezes queremos jogar nos outros a culpa por nossas dificuldades. O jovem diz: “Não pedi para nascer”. Pedimos, sim. E pedimos dificuldades para evoluir. Pedimos muito e os cautelosos mentores espirituais nos alertam para que não assumamos responsabilidades superiores às nossas possibilidades. Aceitar não é acomodar. Obediência é cumprir nossas tarefas. Maria, mãe de Jesus, quando recebeu da espiritualidade o aviso que seria mãe do Mestre, afirmou: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça em mim, segundo a sua vontade.” E Jesus nos afirmou que “O Pai não dá pedra ao filho que pede pão, nem serpente ao que pede peixe”. Devemos confiar em Deus, e admitir que o que Ele nos dá é para nosso bem. Jesus nos aconselhou ainda a observar as aves, os lírios, ou seja, plantas e animais que amparados pelas leis divinas são cuidados pelo Pai Celestial. Paulo, a caminho de Damasco, “cai do cavalo”. Era difícil continuar teimando. Ele também pergunta: “Que queres que eu faça?” Não pergunta as condições, com que contará para executar o trabalho. Aceita a tarefa e obedece. Realizou muitas viagens a pé, ou em lombo de animais, sem conforto, e sempre alegre e feliz por servir a uma nobre causa. Fez-se tecelão para não ser “pesado a ninguém” e cumpriu, como poucos, importante tarefa. Dizem os instrutores espirituais: O Espírito atrasado reclama; o mais evoluído agradece a oportunidade de trabalhar e superar dificuldades para sua própria evolução. Aceitar lutando, trabalhando. Jamais se entregar ao conformismo, à omissão, à passividade. Vale aplicar o “talento” que nos foi confiado. “As leis que governam a vida humana funcionam tão rigidamente quanto a lei da gravidade. Obedecer a essas leis impulsiona-nos para a harmonia e desobedecê-las nos impulsiona para a desarmonia. Uma vez que muitas dessas leis já são crença comum, você pode começar colocando em prática todas as boas coisas nas quais acredita. Nenhuma vida pode estar em harmonia, a menos que a prática e a crença estejam nela harmonizadas”2.

 

Bibliografia:

1 - Editorial do Jornal “O Clarim”, de junho de 2002.

2 - Peregrina da Paz – Doze passos Rumo à Paz Interior.