O homem de qualquer profissão, para cumprir seus deveres na cidadania deverá proceder como um lavrador. . .

 

Dai a César o que é de César…

 

CARLOS ALBERTO CORREA FONSECA

de Ribeirão Preto, SP

 

“Eles enviam a Jesus alguns fariseus e alguns herodianos para pegá-lo numa armadilha, ao fazê-lo falar (…)” - (Marcos 12, 13 - 17)

Em Jerusalém, Jesus sensibiliza a multidão com seus ensinamentos e muitos deles não agradam os sumos sacerdotes nem os escribas, que questionam sobre a virtude da autoridade de seus feitos. ELE, então, propõe-lhes a parábola dos Vinhateiros Homicidas contrariando-os ainda mais, pois percebem que tal exposição a eles é que estava endereçada. Enviam alguns fariseus e herodianos com intenção de pegá-lo numa armadilha para denunciá-lo. Os enviados lhe questionam sobre a licitude dos tributos que pagavam ao império dos Césares, e Ele, percebendo seus intentos, pede uma moeda corrente da época e indaga:

— Esta efígie e esta inscrição são de quem?

O que lhe respondem:

— De César.

Então, Jesus lhes disse:

— Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

A prudência de Jesus, ao manifestar seu parecer, expressa sua superioridade moral e intelectual. Ele não defronta os oponentes, mas aproveita a circunstância para perpetuar mais um ensinamento.

A primeira parte da resposta, ou seja:  Dai a César o que é de César, podemos interpretar como uma atitude de obediência às leis que regulam os interesses materiais de caráter transitório. O homem de qualquer profissão, para cumprir seus deveres na cidadania, deverá proceder como um lavrador que prepara a terra, procede a semeadura, colhe os frutos e depois de vendê-los, com parte da arrecadação, contribui em impostos gerando benefícios sociais.

Na segunda parte da sentença, como legítimo representante da eterna verdade, fala da parte que viera, aconselhando a humanidade a observar os valores pertencentes a Deus. E daí podemos extrair profundos ensinamentos que estimularão nossa vontade em melhor direcionar essas forças para o bem, que prescrevem nossa ascensão espiritual. 

Em dimensões mais determinantes acontece na Seara do Senhor, em que as criaturas precisam dar o tributo na construção de sua edificação.

Este trabalho está contido na vontade do criador, pertence aos Seus desígnios e o homem deve dar acabamento à sua obra, contribuindo também para a progresso do meio em que vive. Trabalhar para entender o processo evolutivo que está inserido e permanecer no exercício prático da efetivação da plenitude moral, é oferecer a Deus aquilo que por essência Lhe pertence.

Eis aí um dos cunhos das moedas que circulam no Reino dos Céus.