O até breve de Chico Xavier
Morreu como viveu,
sem chamar atenção sobre si mesmo
Mas Uberaba amanheceu calada. Um profundo silêncio, pleno de dor e respeito, perpassava a cidade no dia 1° de julho, durante o feriado local.
O seu corpo foi velado, a partir das 23h do dia 30, no Grupo Espírita da Prece, o templo humilde, onde consolou tantos irmãos do caminho.
Até às 17h do dia 2 de julho, hora em que o corpo foi levado ao cemitério São João batista, segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 80 mil pessoas tinham passado diante do caixão. Uma fila ordeira, formada, em sua maioria, de pessoas humildes do povo, passou diante do corpo físico do médium, trouxe-lhe flores, preces e lágrimas mansas, no último adeus. Passaram também pelo velório, além do prefeito, Marcos Montes, o secretário de Estado da Indústria e Comércio, Marcelo Prado, que representou o Governador Itamar franco, autoridades locais e da região; e os atores, Norton Nascimento e Caio Blat, da Rede Globo. Estiveram também o presidente da USE (União das Sociedades Espíritas de São Paulo), Atílio Campanini; da FEB (Federação Espírita Brasileira), Nestor Masotti; da Associação Médico-Espírita do Brasil, Marlene Nobre; da FEEGO (Federação Espírita de Goiás), Weimar Muniz de Oliveira; da UEM (União Espírita Mineira), Pedro Valente; a secretária da FEERJ (Federação Espírita do Rio de janeiro), Yeda Hungria; além de outros.
Desde a noite de 30 de junho, Eurípedes Higino dos reis, filho adotivo, estava trespassado de dor; varou as madrugadas, dormindo por pequenos lapsos de tempo, no colo de familiares, sem esconder a profunda tristeza.
O presidente da Câmara dos deputados, Aécio Neves, chegou para o sepultamento, minutos antes das 17h, seguindo até as portas do cemitério; sua vinda, segundo afirmou, foi em retribuição a tudo quanto Chico fez por sua família, depois da morte de seu avô, Tancredo Neves.
A cerimônia de sepultamento teve inicio às 17h e foi feita com honras de Estado. O corpo foi levado em carro do Corpo de Bombeiros, que seguiu, lentamente, o percurso até o cemitério São João batista, para que milhares de pessoas pudessem acompanha-lo , a pé. Em cerimônia comovente, no portão de entrada do cemitério, pouco depois das 19h, a bandeira do Brasil foi dobrada, por representantes da elite da Polícia Militar; uma salva de 21 tiros homenageou o médium-herói. Cerca de 100 mil pessoas acompanharam comovidas, a cerimônia, que foi amplamente divulgada pela mídia.
Finalmente, por volta de 20h45, o caixão chegou junto à lápide de mármore, que tem apenas uma inscrição: família Francisco Cândido Xavier. Enquanto a bandeira dobrada era entregue a Eurípedes Higino dos Reis e o corpo descia para a gaveta mortuária, o helicóptero, que seguira todo o percurso do cortejo, despejava pétalas de rosas sobre o túmulo e os presentes. Ao som da música “Jesus Cristo” e do coro popular “Chico, eu te amo” fechou-se definitivamente, a cortina para o corpo físico que abrigou a personalidade Francisco Cândido Xavier.
Agora, nos Céus, ele assume a sua verdadeira identidade de Apóstolo da Redenção Humana. E brilharão para sempre, em seu coração, as estrelas conquistadas, com máxima láurea, por ter vencido em toda linha, as duras refregas humanas, deixando, no mundo sofrido, as marcas do homem-amor, protótipo do 3.º milênio.
Ave, Chico Xavier!, na terra, os sinos dobram por ti… Nos Céus, os coros da eternidade cantam as alegrias do seu regresso vitorioso às moradas do Pai.
(Transcrito do Jornal “Folha Espírita” - julho/2002)