Um recado de Hilda

 

DOMÉRIO DE OLIVEIRA

de São Paulo, SP

 

Os espíritos através da límpida mediunidade de Francisco C. Xavier, sempre nos transmitem valiosas instruções. Lendo o livro “Vozes do grande além”, mensagens de vários espíritos, organizadas pelo confrade Arnaldo Rocha, deparamos com a comunicação do Espírito da jovem Hilda que abandonou a existência corpórea pelas portas sombrias do suicídio. Este Espírito, valendo-se da cristalina mediunidade do nosso grande médium de Uberaba, assim se expressou:

“Fala-vos a humilde companheira, que ainda sofre, depois da aflitiva tragédia no suicídio, alguém que conhece de perto a responsabilidade na queda a que se arrojou, infeliz. O pensamento delituoso é assim como um fruto apodrecido que colocamos na casa de nossa mente. Obsidiada fui eu, é verdade. Jovem caprichosa, contrariada em meus impulsos afetivos, acariciei a idéia de fuga, menoscabando todos os favores que a Providencia Divina me concedera à estrada primaveril. Acalentei a idéia do suicídio com volúpia e, com isso, através dela, fortaleci as ligações deploráveis com os desafetos do meu passado. Refletia, no suicídio, com a expectação de quem se encaminhava para uma porta libertadora, tentando, inutilmente, fugir de mim mesma. E, nesse passo desacertado, todas as cadeias do meu pretérito se reconstituíram, religando-me às trevas interiores, até que numa noite de supremo infortúnio empunhei a taça fatídica que me liquidaria a existência na carne. No momento cruel, um raio de luz clareou-me por dentro!… Eu não deveria morrer assim, comecei a pensar. Cabia-me guardar nos ombros, por título de glória, a cruz que o senhor me confiara!… Entretanto, na penumbra do quarto, rostos sinistros se materializaram de leve e braços hirsutos me rodearam. Vozes inesquecíveis e cavernosas infundiram-me estranho pavor, exclamando: “É preciso beber”. Esvaíram-me as forças. Senti-me desequilibrada e, embora sustentasse a consciência do meu gesto, sorvi, quase sem querer, a poção com que meu corpo se rendeu ao sepulcro. Em verdade, eu era obsidiada…

Sofria a perseguição de adversários, residentes na sombra, mas perseguição que eu mesma sustentei com minha desídia e ociosidade mental. Em razão disso, padeci depois do túmulo, todas as humilhações que podem rebaixar a mulher indefesa”.

Meus amigos, deste longo depoimento do Espírito da jovem Hilda, que fizemos questão de transcrever, colhemos que a principal causa do suicídio é o processo obsessivo. Os nossos inimigos desencarnados, estão sempre à nossa espreita, e procuram solapar as nossas bases morais. Ficam felizes, quando tombamos na vala escura de todos os fracassos. Quando, pela nossa invigilância, abrimos uma pequena brecha mental, é por aí mesmo que se infiltram os maus pensamentos assoprados pelos obsessores. E, se não tivermos cuidado, o processo vai tomando vulto e poderá nos levar ‘as portas do suicídio. O remédio que nos ajuda a vencer as crises depressivas tão perigosas, por certo, está na oração e na vigilância. Não podemos descuidar da nossa Casa Mental, ela é mais importante do que a nossa própria casa de alvenaria.

Sim, meus amigos, todos estes meandros terríveis e dolorosos do suicídio, encontramos no livro “Memórias de um Suicida” ditado pelo espírito do grande escritor e poeta Camilo Castelo Branco à nossa saudosa e límpida médium Yvonne A. Pereira. Quem tiver a oportunidade de ler este livro, jamais pensará em suicídio e, por certo, ajudará os irmãos a se livrarem deste temível mal. A nossa valorosa irmã Yvonne, na espiritualidade, com zelo e probidade, trabalha para a recuperação dos Espíritos que abandonaram a existência pelas portas do suicídio O Espírito da jovem Hilda voltou e nos alertar para que valorizemos a nossa presente existência, mesmo sob o guante das dores, das ingratidões, das mais acerbas provas, porque, tudo isso somado, não chega sequer a um centésimo da tremenda dor do suicida pelo remorso que lhe corroe e as entranhas. Compete-nos, então, acordar, em todos aqueles que pensam em suicídio, a responsabilidade e a consciência.

Sim, somos responsáveis pelo patrimônio da vida que nos foi doada pelo Criador. Deus no-la deu e somente a Ele compete fixar os seus limites. A nossa consciência fala-nos ao coração que a nossa vida continua e, que o suicídio, em nada nos aliviará, pelo contrário, irá complicar, ainda mais, a nossa situação.

Meus amigos, para que possamos aliviar a nossa mente e expulsar qualquer idéia de suicídio, façamos dos nossos dias um rosário de obrigações: visitemos o amigo enfermo, atendamos a criança desventurada, procuremos a execução de nossas tarefas, busquemos o convívio do livro nobre, tentemos a conversação robusta e edificante, refugiemo-nos no santuário da prece e devotemo-nos à felicidade do próximo, instalando-nos sob a tutela do bem e agindo sempre contra o pensamento insensato. Se assim o fizermos, por certo, venceremos as trevas que nos rondam e alcançaremos os altiplanos sempre saturados de luz.

Para concluir, lembremo-nos do que já disse o Espírito do nosso Camilo:

“O suicídio é o maior dos crimes, porque é o desprezo do divino remédio nas dores passageiras da vida”.