As Lições de Chico Xavier

 

Um senhor perguntou ao Chico o que ele achava de dar dinheiro a um alcoólatra e explicou:

— Em minha cidade, tenho um conhecido nestas condições. Sempre me pedia alguns trocados e eu lhe dava, mas depois observei que, ao ganhar o dinheiro, ele tomava seus goles. Com isto, pensei que estava contribuindo para que ele se embriagasse e, assim sendo, parei de dar-lhe dinheiro.

Na sua hesitação de consciência, inquiriu:

— O que você acha da minha atitude?

O Chico, ao ouvir aquela confidência, relatou-nos que também ele, certa ocasião, em Pedro Leopoldo, fora tomado de escrúpulos em caso semelhante.

Negou ajuda a um pedinte e, quando este, desapontado, se retirava, notou a seu lado a presença espiritual de Emmanuel a lhe indagar o porquê da recusa em auxiliar aquele amigo.

— Mas o senhor não acha que, se eu lhe der o dinheiro – obtemperou Chico - , ele irá beber?

— Acho! – retrucou Emmanuel.

— Mas, assim fazendo, o senhor não acha que estarei ajudando-o a permanecer no vício?

— Dê a ele um dinheiro – retrucou -, mesmo que vá beber, porque depois ele irá dormir e não irá prejudicar a ninguém!…

“Precisamos estar preparados, compreendendo que a nossa dor não é maior do que a dos outros. Se não temos paciência com uma caneta quebrada, com o café, com o prato à mesa que não vem de acordo com nossa predileção, como vamos ter paciência com as grandes coisas – se não temos com as pequeninas!… O choro que vive na preguiça, esquece o trabalho; não é mais choro: é perturbação…”

(Extraído do Encontros com Chico Xavier, de César Carneiro de Souza, ed. autor e de O Evangelho de Chico Xavier, de Carlos Baccelli, ed. Didier)