Geraldo Lourival da Silva (TIM)
FERNANDA RIPAMONTE
de Ribeirão Preto, SP
Vamos falar agora de um grande amigo. Daqueles amigos que sorriam à nossa chegada, que chegava às reuniões com alegria, cumprindo um dever com muito amor. Dever de conviver, de partilhar o sentimento, o conhecimento e a tarefa de divulgar uma doutrina que consola e fortalece. Sabemos de sua vida, aquilo que sua família retrata, transmite e cultiva: União e respeito. Ele recebia com carinho a qualquer um de nós, a todos.
Tim, nosso companheiro, era a presença constante nas jornadas espíritas, no planejamento e na execução, cuidadoso e estudioso da Doutrina Espírita e confiante na reforma íntima que o estudo filosófico e sua vivência evangélica conferem ao homem.
Tendo nascido em 26 de abril de 1923, na cidade de Franca, só foi registrado no dia 11 de agosto do mesmo ano, em Ribeirão Preto, filho de Elvira Silva, que faleceu em 1931 quando tinha apenas 8 anos. Ele e o único irmão, Claudionor da Silva Bueno, viveram em Ribeirão Preto, tendo este último falecido em outubro de 1986, no mesmo trágico ano, que em dezembro ocorreu o acidente em que desencarnou Janete, sua filha.
Aos 8 anos quando perdeu sua mãe Elvira, foi trazido para Ribeirão por 3 lavadeiras conhecidas, amigas de sua mãe que o adotaram: era Etelvina Leite Nascimento, mãe Izolina, Maria Marcolina. O irmão foi educado pela avó paterna, avó Marta, junto com a família Souto. Muito católica, Etelvina Leite o levou para a Igreja onde foi Coroinha e ficava horas rezando. Dizia sempre que sua infância foi muito feliz, mesmo vivendo numa casa de chão batido, tinha as “santas mães” como dizia ele, o educaram se reuniram para lhe proporcionar, enquanto com elas, um período de grande aprendizado.
Ainda na infância, em manifestações mediúnicas, ele via sua mãe chorando querendo levá-lo consigo. Assim, costumava ficar muito tempo na Igreja, sozinho, ajoelhado diante do altar a rezar. Na Igreja ele dizia sentir paz. Até que começou a ver vultos saindo de traz dos Santos e após um período de perturbações, decide não mais voltar lá. A madrinha Etelvina, como ele a chamava, tinha pavor de “alma do outro mundo”, então, entra em cena a Dona Maria Marcolina, que já era espírita e leva o jovem para a Sociedade Espírita Joana D’Arc. A primeira sede da Sociedade Espírita D’Arc ficava na rua Saldanha Marinho, na esquina com a rua Duque de Caxias, uma das primeiras Sociedades Espíritas de Ribeirão Preto e ali conhece o catecismo espírita, evangelizado pelo Sr. Luiz Stefano, que ainda hoje, aos 90 anos de idade trabalha no Centro Espírita Santo Agostinho, onde a Ditinha, esposa do Tim, é trabalhadora há catorze anos.
Tim estudou até a 4.ª série do curso primário na Escola “Dr. Guimarães Júnior” e depois, na Escola Industrial, iniciou um curso de Mecânico, tendo trabalhado na Perdiza, no DAERP, vindo depois trabalhar na Faculdade de Odontologia e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, até se aposentar.
Nos anos da juventude, quando o Carnaval era festa popular que encantava as famílias, foi príncipe da Escola de Samba “Meninos lá de casa”, e por toda a vida adorava dançar com suas filhas e esposa, um verdadeiro “pé de valsa”, elegante e alegre era um perfeito cavalheiro.
Durante algum tempo, ainda jovem, se apresentou na Rádio PRA-7, que mantinha um programa de auditório com a pianista D. Edu Rangel e tinha grandes chances de ir pra frente na carreira de cantor, mas algumas pessoas aconselhavam as suas mães dizendo que aquilo poderia torná-lo um vagabundo, então foi proibido de cantar. Ficou muito triste mas, obedeceu.
Casou-se com Benedita Matos da Silva, tendo na ocasião, sido feita uma prece pelo Dr. Jaime Monteiro de Barros. Esta união de 52 anos, que perdurou até seu desencarne, mas que perdura para sempre, em nosso entendimento, resultou no nascimento de sete filhos, nove netos e um bisneto. São eles: Elvira Matos da Silva Cremonez, casada com Hamilton Cremonez, Lourival Matos da Silva casado com Janildes Mota, Matilde Matos da Silva Nunes casada com João Nunes Filho, Etelvina Matos da Silva casada com José Roberto Balbino, Elizabete Matos da Silva Costa, casada com Airton Luís Costa, Lucia Matos da Silva e Janete Matos da Silva, a filha desencarnada em 1986.
Os filhos, que ao completarem quatro anos de idade eram encaminhados para a evangelização do Centro Espírita Joana D’Arc, foram educados com muito amor e dedicação. Um conselho paterno e um pedido: para que orassem nas situações alegres ou tristes da vida. Assim, sempre que o viam em silêncio num canto, já sabiam que estava orando.
“Ser negro ser pobre e ser espírita me ensinou a viver” foi uma declaração bem humorada feita a trabalhadores da Feira do Livro Espírita de 2001 na praça XV de Novembro de Ribeirão Preto. Foi-lhe apresentada a Doutrina Espírita por D. Maria Marcolina, na Sociedade Espírita Joana D’Arc desde a infância e ele permaneceu naquela sociedade durante toda a sua existência terrena.
O Tim, nosso querido irmão, é o negro que se enriqueceu de experiências nesta vida e nos ensina também, com seu jeito simples e amizade sincera a encontrar uma maneira mais entusiasmada de viver.
Fazia palestras, divulgava a doutrina, participava de todos os encontros.
Certa vez, quando se encontrava no Sanatório Espírita Vicente de Paulo, a fim de proferir uma palestra, teve um mal estar súbito, mas, teve também o amparo e a comunicação de Estephania Servidone Carneiro, dizendo que continuasse o trabalho, não era para desistir, que prosseguisse servindo e falasse do que lhe viesse ao coração.
Tim era integrante do grupo das Campanhas da Fraternidade Auta de Souza, comparecia aos encontros anualmente, sendo que a primeira CONCAFRAS foi realizada em março de l957, em Ribeirão Preto, tendo a finalidade de troca de experiências entre caravaneiros das diversas cidades.
Visitava permanentemente o Centros Espíritas, fosse em palestras, estudos ou encontros doutrinários e será sempre lembrado pela firmeza e pela sinceridade para com a doutrina espírita, pelo amor e fé inquebrantável em Jesus e pela carinhosa dedicação a Joana D’Arc, mentora dos que se decidem por aproveitar as oportunidades de servir e progredir.
Voltou à pátria espiritual na madrugada do dia 17 de agosto de 2001, sendo numerosa presença de amigos e companheiros que estiveram ao lado de seus familiares para as despedidas e o conforto da certeza do reencontro.