Educador = Educa-dor?
MARLENE FAGUNDES CARVALHO GONÇALVES
de Ribeirão Preto, SP
“O homem os evitará [os males que constituem as vicissitudes da vida] quando trabalhar para o seu adiantamento moral e intelectual.” - Evangelho, Cap. V item 4.
Se não é pelo amor é pela dor! Quem já não ouviu esta frase antes?
Os caminhos para o aprendizado e evolução do Espírito passam pelo trabalho com a própria dor, e com a dor do outro. Dificilmente alguém percorre seu caminho evolutivo sem defrontar-se com situações de algum sofrimento…
Nos estudos de psicologia do desenvolvimento humano, os conflitos e dilemas pelos quais as pessoas passam acabam aparecendo, inclusive, como “provocadores” do desenvolvimento.
A grande questão é como lidar com eles, e como transformar o que seria motivo de sofrimento em motivos para o aprendizado e crescimento - transformar o limão amargo que se tem nas mãos em uma refrescante limonada!
O primeiro passo para se lidar com a dor é se reconhecer como próprio autor de seu infortúnio. Isto nos tira da posição de passivo e nos faz assumir uma atitude de quem pode superar os obstáculos e vencer, de quem pode transformar o motivo de tristeza e lamentação num motivo que impulsiona a transformação.
Pode-se pensar que o trabalho de reforma íntima é muito pessoal, e que muito pouco uma pessoa pode fazer por outra. Não é verdade! Estamos todos juntos nesta caminhada evolutiva. O Livro dos Espíritos aborda, inúmeras vezes, o papel do “outro” no processo evolutivo de cada um:
“A humanidade progride através dos indivíduos que se melhoram pouco a pouco e se esclarecem; quando estes se tornam numerosos, tomam a dianteira e arrastam os outros” (perg. 789).
“O homem tira de si mesmo a energia progressiva ou o progresso não é mais do que o resultado de um ensinamento? - O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais adiantados ajudam os outros a progredir, pelo contato social” (perg. 779).
“(…) a diversidade das aptidões do homem não se relaciona com a natureza íntima de sua criação, mas com o grau de aperfeiçoamento a que ele tenha chegado como Espírito. Deus não criou, portanto, a desigualdade das faculdades, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir.” (perg. 805).
Se olharmos os exemplos históricos ao nosso redor, sobre a importância de pais, educadores e amigos na convivência de tantos Espíritos que passaram por aqui, vamos perceber que muitos deles, provavelmente, não teriam as mesmas chances ou possibilidades de realizações, se não lhes tivessem sido dado, pelos outros, condições de descobrir opções e possíveis caminhos a seguir, ou ainda, se não lhes tivessem sido mostrados caminhos a não serem seguidos. Isto é educar.
O papel do educador (e aqui entram pais, professores, evangelizadores, palestrantes, amigos, etc.) parece ser então de propiciar condições para a reflexão e reconhecimento, por parte do educando, de suas possibilidades, de suas necessidades enquanto Espírito imortal. Claro que cabe ao próprio educando a escolha, a opção, e o trabalho a ser feito consigo mesmo. Podemos contribuir para que perceba que tem boas opções, mas, por outro lado, não podemos fazer tais opções por ele…
Ao educador cabe, muitas vezes, ensinar a “educar” a dor.
Para tanto precisa predispor-se, também, a educar sua própria dor.
Referências Bibliográficas:
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. V, it. 4
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. (grifos meus)
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