Opinião

 

A FAMÍLIA E O CIDADÃO NO MUNDO

 

Iniciou-se o terceiro milênio em 2001 e não podemos esquecer que ele durará 1.000 anos. Assim, não é simplesmente o fato de passar o século ou o milênio, que trará ou fará acontecer renovações profundas, rápidas, imediatas.

Nos últimos anos o progresso científico, tecnológico, as mudanças político-sociais foram aceleradas. Em meio a todo esse desenrolar dinâmico, o relacionamento entre as pessoas nas integrações intercontinentais de formação, religiões com culturas e ideologias diversas, tornaram-se comuns, convidando o homem do novo século a ser um cidadão do mundo.

Em paralelo, nota-se o aumento da intolerância, em desrespeitos, crimes, atentados e guerras alimentadas pelo fanatismo religioso, étnico e político, ampliando as faixas mais carentes.

Em nosso país, há esforços de estabilidade econômica com renovação política onde se faz premente a reciclagem das informações educacionais e espirituais adequando-as a sociedade atual, integrando-se no mundo sem perder de vista que, se existem valores que são imutáveis, outros são da época.

Nesse contexto há que se reavaliar a função da casa espírita, do espírita, no sentido de que se unam em torno da Doutrina, empenhados na preservação de sua pureza, sem enxertias, porém sempre com respeito às características das cidades, bairros ou regiões em que se localizem, com evidente interação na sociedade.

O Movimento Espírita tem o papel importante de contribuir com o processo de educação do homem, lançado e ampliado sobre o entendimento da imortalidade consubstanciado nos princípios do Espiritismo.

Os Centros Espíritas necessitam unir-se em planejamento global de modo a que intensifiquem a sua inserção no meio social.

Para tanto, e necessário superar a mentalidade de que as coisas mudarão pela própria força do progresso que as impulsionara. Não. Somos imortais, indivíduos em etapas evolutivas próprias, com conhecimento doutrinário espírita que deve ser incorporado no processo educacional a partir do ambiente familiar, no respeito a essa individualidade, com fraternidade e solidariedade reconhecendo as dificuldades de cada um, sem exigências que seriam, em síntese desrespeitadoras aos limites pessoais.

Por que iniciar na família?

Exatamente porque, a sociedade sedimentada nos valores familiares em relação de reciprocidade, o homem aí interioriza valores morais, se apossa, treina, forma uma cultura pessoal de relacionamento, aprendendo a ver no outro, pais, irmãos, familiares; visão esta que, permitindo promover mudanças significativas no comportamento próprio, exteriorizar-se-ão em ações diferenciadas no mundo nos relacionamentos de respeito a cada qual.

Essas reflexões são imprescindíveis ao cristão, ao Centro Espírita como instituição, ao Movimento a fim de que apreciemos meios de ação conjunta estudando a teoria, as propostas, planejando programas, atividades, estudos, reciclagens, seminários, encontros; para que a prática seja eficiente no redimensionar dos caminhos.