Comportamento
PASCOAL ANTONIO BOVINO
de Ribeirão Preto, SP
Entendendo o tema como o conjunto de atitudes e reações do indivíduo em face do meio social1, pergunta-se:
Como habitualmente agir perante a sociedade? Qual comportamento adotar perante os semelhantes? Qual opinião têm os outros a meu respeito? O que eu penso de mim mesmo?
Tantas são as dúvidas, que o ser humano tende a buscar na aceitação e na aprovação dos outros uma forma de encontrar a felicidade. Em vista disso, tentam seguir as tendências da moda, as colunas sociais, copiar ou imitar pessoas de sucesso, artistas famosos, empresários, vendo a aparência externa, esquecendo de analisar conteúdo, o interior de cada um desses seres, que como todos têm também dúvidas, carências e incertezas.
Por que é comum esse copiar, imitar, forjar o que não se é?
Desde a infância, percebe-se comportamentos para chamar a atenção dos que o cercam a fim de atraí-los, para que supram necessidades. Quando bebê, chora ao sentir fome ou algum incômodo, quando ri por estar bem, recebe atenção e carinho. Adolescente imita para ser aceito na turma, copia comportamentos, roupas, corte do cabelo, gíria, enfim, evita ser diferente dos outros. Ser semelhante proporciona segurança e bem estar, mesmo que as atitudes prejudiquem outros. Quando adulto continua-se da mesma forma. Chora-se, lamenta-se, há mágoas, comportamentos infantis. Imita buscando na aparência segurança para caminhar.
Deseja-se carinho, atenção, afeto, ser amados. Mas na maioria da vezes o comportamento assumido traz infelicidade, amargura, decepções, tristezas. Repete-se o modo de ser das pessoas consideradas felizes, usa-se as mesmas roupas, fala-se do mesmo modo, compra-se carros, e descobre-se que a felicidade, não só, não vem junto, como na maioria das vezes nos causa dor e deixa frustrações.
Some-se que revistas, jornais, cinema, televisão nos mais variados programas estimulam a fazer crer e aceitar felicidade como decorrência direta da riqueza, do poder ou até da beleza física. Incentiva-se o culto a aparência, ao exterior nas buscas a tudo quanto está fora do homem.
Na realidade, não se constituindo estes aspectos, como valores reais, conviverá esse homem aparente com enganos e desilusões.
Felicidade vem, está, acontece de dentro para fora, no íntimo daquele que se conhecendo, analisa virtudes e defeitos, procurando na renovação desenvolver as primeiras no decrescer das segundas.
Esta é a proposta da Doutrina Espírita: que o homem se conheça, que avalie os objetivos da vida, os valores importantes capazes de desenvolver sentimentos de felicidade. A proposta espírita de reforma, nada mais é do que convidar a que se reveja comportamentos, adequando às reais necessidades, como Espíritos encarnados, dotados de capacidades ilimitadas, porém, que precisam ser educadas, orientadas, na trilha de exemplos vividos pelo mestre Jesus. Tentando imitá-lo agora imitação que se constituirá como afirmação do próprio eu, nas reconstruções que se darão, renova-se o mundo íntimo em atos de plena consciência, onde o entendimento do porque da Vida, na existência em curso, reveste-se como indispensável ao aperfeiçoamento do amor.
"Apesar de todos os palpites antagônicos acerca do teu esforço e conduta, entra no imo da própria alma, observa se a sinceridade te preside as resoluções e os atos, no foro da consciência, e se te reconheces diante do Senhor, fazendo o melhor que podes, guarda o coração tranqüilo e prossegue de esforço limpo e atitude reta, caminho adiante, na convicção de que"2 "cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."3
Bibliografia:
1 Dicionário Aurélio - pág. 441 - 2.ª Edição
2 XAVIER, Francisco C./Emmanuel - Palavras de Vida Eterna - lições 17, 18 e 170
3 PAULO - Epístola ao Romanos, 14:12