A dor e suas bênçãos
A dor é, em mundos de expiação e de provas, a alavanca que eleva a alma que ainda não aprendeu a usar a alavanca do Amor
SIMONI SCRAMIN REHDER
de Ribeirão Preto, SP
Num primeiro momento, todo ser vivo convive no planeta Terra com aspectos de dor, representativos estes, das limitações estruturais da imperfeição da matéria que nos caracteriza, da própria condição espiritual que caracteriza o mundo.
Num segundo momento, será resposta das ações livremente praticadas. Toda vez que essas decisões visarem exclusivamente desejos pessoais onde o outro foi lesado ou desrespeitado, imediatamente atrelou-se respostas na igual proporção e intensidade, que em tese, reequilibrarão a Lei.
Por que em tese?
Porque esse não é o único meio de reequilíbrio: atitudes de amor na prática do Bem, sensibilidade em favor do outro, desgastam opções infelizes do passado, exatamente porque o Amor é a Lei…
Esse não entender, essa aparente contradição, tornou-se através dos tempos problema angustioso, levando muitos à dúvida, ao pessimismo.
No atual estágio evolutivo a dor segue os passos do homem; espreita-o nas voltas do caminho, e, continuando sem entendê-la questiona: Por quê? Por que a dor? Será punição? Expiação como dizem alguns? É reparação de passado, resgate de faltas cometidas?
Refletimos ser lei de equilíbrio e educação. Onde opções menos felizes do passado recaem hoje com o seu peso determinando as condições dos estímulos. Sendo assim muitas vezes, o sofrimento nada mais é que repercussão das violações da Ordem Eterna, alteradas, exteriorizando-se como necessidade de restabelecimento da ordem geral, agente de desenvolvimento e condição do progresso.
Cada Espírito no atual momento evolutivo, na proporção maior ou menor conviverá com situações difíceis. Sua ação será convite que compreendendo, use o momento difícil para, através das opções, desenvolver potencial perfectível, treinando-se mais e mais para escolhas abrangentes, fraternas, leais.
Percebe-se que as idéias sobre felicidade, desgraça, alegria, dor, variam segundo a evolução individual. A alma pura, boa e sábia, não pode ser feliz à maneira da alma vulgar; o que encanta uma deixa a outra indiferente.
É ainda difícil ao homem entender que sofrimento nesse aspecto pode ser gerador de crescimento.
Tendência geral consiste em se fechar no estreito círculo do individualismo, do cada um por si, consumindo-se na revolta da dor que judia. Nessa visão abate-se, reduz-se a vida a estreitos limites. No entanto, o objetivo é recompor, desenvolver pensamento, consciência, numa palavra, toda a potencialidade perfectível em eclosão, educando-se.
Para romper um círculo fechado, para que as virtudes se expandam, é necessária ainda a dor, que funciona como aguilhão levando a que se procure explicações, fazendo jorrar fontes de uma vida desconhecida, bela, intensa, responsável nas opções agora do Amor.
Diante do desejo da renovação interior, no combate com as paixões e desequilíbrio, quantas vezes o desânimo tenta deter caminhos, forçar caminhos. Entretanto não falta auxílio, no qual cada qual está mergulhado, esperando pelas opções novas para que ecloda em fortalecimento, coragem, que o entendimento do porquê da dor propicia.
Males, dores de hoje provêm de ações em sentido oposto à Corrente Divina, que desaparecerá quando diluídas no Bem as causas que a fizeram nascer.
Por muito tempo conviverá a Humanidade com aspectos difíceis. Ignorante das Leis Superiores, inconsciente do futuro e do dever, precisará da dor para despertar, estimular, transformar instintos primitivos e grosseiros em sentimentos generosos, fraternos, libertadores que se exteriorizarão nas opções conscientes do Bem, nas ações do Amor.
Bibliografia:
FRANCO, Divaldo P./Joanna de Ângelis. Fonte de Luz. Pág. 94
XAVIER, Francisco Cândido/André Luiz. Os Mensageiros.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Págs. 371 a 395
XAVIER, Francisco Cândido/Emmanuel. Livro da Esperança. Lição 9
PEREIRA, Yvonne Amaral/Bezerra de Menezes. Dramas da Obsessão. Págs. 58 a 61
XAVIER, Francisco Cândido/Emmanuel. Pão Nosso. Lição 63