Importância do conhecimento, ponto inicial necessário ao processo educativo

 

Espíritas, instruí-vos!

 

TEREZA CRISTINA D’ALESSANDRO

de Ribeirão Preto, SP

 

Envolvido pela vida moderna, o homem segue desorientado, aspirando à liberdade plena e escravizando-se aos condicionamentos criados. Almejando a paz do mundo, promove guerras muitas vezes cruéis, no próprio ambiente familiar; possuidor da razão, arrasta-se em meio a ignorância em que demora.

As conquistas modernas, não conseguem acalmá-lo interiormente, torná-lo feliz, conforme deseja.

Antecipando estes tormentosos dias, Jesus prometeu o Consolador que, há mais de um século, inaugura a Era Espírita entre os homens, conclamando-os à renovação e a felicidade real.

Com Allan Kardec se confirmam os prenúncios dos dias felizes a que se reporta o Evangelho e, a mensagem da qual se fez portador, restaura a pureza do Cristianismo, desfazendo os enganos nele inseridos no transcorrer dos tempos.

Sem dúvida, Kardec destaca o aspecto moral do Espiritismo cujo objetivo é o melhoramento do homem e por conseqüência o da humanidade. É por esse ideal, por essas conseqüências morais deduzidas dos ensinos dos Espíritos que as colheram nos ensinos de Jesus, que o espírita, o cristão necessita empenhar-se.

Estudar Espiritismo na sua limpidez e sabedoria é dever que não é lícito adiar. Cada conceito examinado clarifica o entendimento, facultando mais ampla percepção em torno da Vida e de seus fenômenos, convidando ao amor, promovendo a libertação do sentimento e da inteligência, através do que o Espírito caminha para Deus.

Definiu Kardec: “(…) Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações”. O Espiritismo é a aplicação legítima da moral ensinada por Jesus, e vem, como o Cristianismo bem compreendido, mostrar a necessidade de renovação interior, uma vez que o homem terá de enfrentar as “conseqüências que resultarão de cada um dos seus sentimentos, pensamentos e atos”. O convite espírita é todo moral; não cria uma moral nova; facilita sim, a compreensão e a sua prática ao oferecer a fé raciocinada aos que duvidam ou vacilam.

Através do estudo, compreende-se essa fé racional, isto é, dotada de conteúdo intelectual, levando ao exame do que é ensinado. Essa autoridade impõe-se espontaneamente pelo valor que possui, infundindo nos adeptos, o desejo de educar-se.

A instrução externa é importante, mas quando o homem já pode caminhar sozinho, precisa assumir a direção do seu aprimoramento. A instrução transmitida por outros é útil, porém constitui-se como auxiliar, por não poder fornecer tudo quanto lhe é necessário. Cada qual, no campo íntimo da consciência, manejará os elementos educativos que recebe de fora e segundo sua maneira de entender, integra-os, no quadro dos conhecimentos que possua, estabelecendo o seu verdadeiro processo educativo, uma vez que, as propostas aceitas serão trabalhadas segundo necessidades pessoais.

Para isso e para que se disponha à conquista da Vida vitoriosa, o espírita recorda-se que o Espírito de Verdade, nos primórdios da Codificação, advertiu:

—  “Espíritas, instruí-vos!”

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo, 6.ª ed. - FEESP, 1990 - cap. VI e XVII

FRANCO, Divaldo P./Joanna de Ângelis, Estudos Espíritas - 4.ª ed. - FEB, 1987 - p. 11/13