Pais e Filhos

 

O momento atual e a importância de se entender os vínculos familiares

 

VERA GAETANI

de Ribeirão Preto, SP

 

Antes de sermos pais e filhos ou filhos e pais ao mesmo tempo, somos todos, originariamente, “consciências livres, livres filhos de Deus, empenhados no mundo na obra de autoburilamento, resgate de débitos, reajuste, evolução” para usar as próprias palavras de Emmanuel.

Diante dessa colocação, podemos figurar pais e filhos como alunos de uma mesma escola, a Terra. Apenas, pela ordem de matrícula, existe um momento em que os pais desempenham o papel de “veteranos”, designados para monitorarem o desenvolvimento dos filhos. Na outra ponta da existência, quase sempre a situação se inverte, cabendo aos filhos o dever de amparar os pais.

Decorrente da proposição inicial pode-se afirmar que, para uma relação saudável entre pais e filhos, deve existir uma fronteira de respeito recíproco que não pode ser ultrapassada nem em nome do amor, sem que o egoísmo apareça. Nem os pais nem os filhos estão habilitados, enquanto encarnados, a compreender toda a trama de circunstância em que uns e outros se envolveram no passado.

Apesar da capa de inocência que todas as crianças trazem ao nascer, capa providencial para que sejam recebidas e tratadas com afeição e carinho, um bom observador notará no lar, certos antagonismos. Emmanuel identifica os filhos companheiros e os filhos credores. Os primeiros logo percebem as dificuldades domésticas e procuram apoiar os pais; já os segundos vêm para cobrar, estão sempre insatisfeitos e, mesmo que os pais se apaguem para que eles brilhem, nunca acham que receberam o suficiente.

O conselho de Emmanuel aos pais que recebem no lar espíritos credores é que, ainda que isto lhes custe muito, assumam os sacrifícios porque, quando a consciência lhes afirmar que tudo foi feito para enriquecer os filhos de educação, trabalho, dignidade e alegria, os pais terão conquistado, silenciosamente, a própria libertação.

Atualmente, excluídas as famílias muito pobres, os pais, de uma maneira geral, investem em dois valores fundamentais para o bom desenvolvimento infantil: saúde e educação. Por isso, levam seus filhos com freqüência ao pediatra, ao dentista, ao ortodontista se necessário; acrescentam ao currículo básico da escola o ensino de outros idiomas, práticas esportivas e danças. Todavia, não é com o mesmo empenho que os conduzem à idéia de Deus e aos exemplos vivos do bem, dentro do próprio lar, a fim de lhes modelar os sentimentos para uma vida superior. Mais tarde, com certeza, não deixarão de lamentar esta omissão.

Outra situação muito comum atualmente é a dos casais que se separam e têm filhos. Sobre a separação, o plano espiritual já nos ensinou que não existe obrigação de cativeiro para ninguém nos fundamentos morais da criação, mas, se do casamento houve filhos e se esses filhos não ultrapassaram ainda a adolescência, as mesmas Leis da Vida rogam às vítimas da deslealdade ou da prepotência, que não renunciem ao dever de amparar os filhos.

Aos homens e mulheres abandonados, um recado de Emmanuel: “Se têm filhos pequeninos, que se voltem, acima de tudo, para essas criaturinhas, por amor de Deus e a si próprios, antes de se aventurarem a novas companhias, porque assim estarão desempenhando a atribuição natural que lhes compete, sem se arriscarem a agravar os problemas dos filhos necessitados de ânimo e sem complicarem a própria situação perante o futuro”.

Com o passar dos anos, os pais, que desempenham o papel de monitores para os recém-chegados à escola terrestre, vão se fragilizando, passando, quase sempre, a depender dos filhos.

Honrar pai e mãe ensina-nos o Evangelho, não é só respeita-los, é assisti-los na necessidade, é garantir-lhes o repouso na velhice, é ser condescendente para com eles, é presenteá-los com pequenos supérfluos, é ter para com eles cuidados amáveis.

Se alguns pais descuraram de seus deveres e não foram para os filhos o que deveriam ter sido, só a Deus é que compete julgá-los e não aos filhos. A estes cabe sempre agradecer aos pais a oportunidade da existência terrestre de que se achavam necessitados.

Somente após o desencarne, no mundo das causas, será possível o entendimento claro dos vínculos familiares.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O livro dos Espíritos - questão 208.

KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo - Honrai a vosso pai e a vossa mãe

XAVIER Francisco Cândido/Emmanuel. Livro da Esperança - Credores no Lar

XAVIER, Francisco Cândido/Emmanuel. Vida e Sexo - Pais e Filhos