Caridade
ADELINO ALVES CHAVES JR.
De Ribeirão Preto, SP
“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade eu nada seria” Paulo, I Coríntios - cap. XIII.
Do ponto de vista cristão, caridade é o amor que move o homem à busca efetiva do bem que procura identificar-se com o amor de Deus.1
Fomos condicionados a entender caridade como benefício em favor de outra pessoa. Desatentos poucas vezes nos lembramos de quanto bem recebemos, através de tantas pessoas, nas mais variadas oportunidades.
Refletindo sobre sua grandeza concluímos que ela é a base de tudo e manifesta-se por inúmeras formas.
O próprio fato de existirmos já é um ato de amor do Criador e se estende ao infinito, porque jamais deixaremos de existir. A bondade do Pai que nos criou como seres imortais nos concede não apenas a Terra, mas o Universo, para habitarmos e desfrutarmos, naturalmente respeitando limites que se resumem nos direitos de nossos semelhantes.
Desde os primeiros instantes do existir desfrutamos dos atos do amor, oferecidos por nossos pais, cuidando das necessidades básicas, ensinando a falar, auxiliando a caminhar, educando, preocupando-se com instrução e estrutura psicológica, auxiliando na formação do caráter, desejando despertar para que o homem de bem se estabeleça. A caridade dos pais se estende por toda a vida, manifestada pelo prazer nas conquistas, pela solidariedade e ajuda quando dos equívocos, pela constante alegria dos reencontros.
A caridade dos filhos que se preocupam em alegrias e tristezas; no dia-a-dia, durante a existência, apoiando os pais nas decisões tomadas; na velhice, amparando e assistindo.
Esses atos, muitas vezes, não são demonstrados de uma forma clara, mas se transmitem coração a coração, ou seja, através de sentimentos não exteriorizados mas sentidos e percebidos, onde a falta material é perfeitamente suprida pelo afeto, pelo Amor.
A bênção de ter um lar, do canto, simples, modesto, luxuoso, com mais ou com menos conforto é apoio, amparo, assistência, aconselhamento, companheirismo, amizade, respeito, união e onde atritos, divergências que na troca fraterna do Amor se transformam em oportunidades para o ajustar, crescer, rearmonizar-se.
Recebemos amor quando respeitados, quando bem atendidos em vários lugares e situações, nas amizades, nos nossos direitos de posição numa fila qualquer, no convívio profissional, religioso, na palavra amiga, no estímulo na hora em que mais necessitamos ou em inúmeras outras situações do inter-relacionamento.
Pequenas atitudes revelam o proceder caridoso, ao fazer uma pergunta, buscando encontrar um endereço, ao receber indicação correta, facilitando a busca ou por qualquer procedimento gentil, cordial, educado exteriorizam-se na forma conteúdos de Amor no carinho de quem se coloca pronto, afável, gentil.
Surge aí na caridade da oportunidade, onde somos capazes, temos condições de algo realizar e realizar bem; temos aptidões específicas, que mais ou menos desenvolvidas, podem crescer e melhorar abrindo-se em outros estímulos, como que à espera de uma mão, uma palavra, uma ajuda, um incentivo amigo que fortaleça impulsionando.
Quase nunca nos lembramos do amigo espiritual, protetor, que está ao lado, que não desanima, por mais que erremos, disposto a auxiliar, a inspirar no bom proceder; dos Espíritos amigos, leais, sinceros, abnegados que agem caridosamente, ocultamente, mas sempre em benefício, auxiliando nos momentos difíceis, sentindo-se felizes com progresso, com o bem-estar, com vitórias por menores que sejam.
Poderíamos discorrer na enumeração de suas atitudes que recebendo não se dá o homem conta, crendo que não são necessárias ou mesmo inexistem. Basta porém que despertos analisemos as situações cotidianas: certamente as descobriremos tomando consciência da caridade que se manifesta para cada um em todas as situações da Vida. Nesse despertar chegaremos à formação de uma consciência aberta nas retribuições várias onde na reciprocidade das ações no Amor, certamente tornaremos a convivência fraterna em instantes felizes na luz que sustenta.
1 Dicionário Aurélio.