Basta-nos o necessário
DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
“Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (Paulo, I - Timóteo, 6:8)
Para o dono de cem bois, basta-lhe um simples bife para mitigar-lhe a fome. Para o proprietário de cem alqueires de terras, basta-lhe uma quarta de chão, onde produzira alimentos para si e para a família.
Diz o nosso Emmanuel - “que ninguém deve alimentar-se ou vestir-se pelos padrões da gula e da vaidade”. Entretanto, o homem, dos nossos dias, infelizmente, não se contenta com o que lhe é necessário. Ele quer mais, sempre mais. A preocupação maior é acumular bens materiais, Meus amigos, vestimos uma só camisa, as outras que estão empilhadas no guarda-roupa bem que poderiam ser distribuídas aos irmãos que nem sequer possuem uma para cobrir-lhes a nudez. Ricos e poderosos esparramam-se na glutonaria e empanturram-se de fartas iguarias, mas não se lembram de encaminhar as sobras aos humildes e pequenos que passam fome. Quase sempre, uma criatura menos aquinhoada, mais pobre, do pouco que possui procura dividir com os irmãos mais carentes. Sentimos que a Caridade não depende da bolsa, mas é fonte nascida no coração. É de se respeitar aquele que procura amealhar algo para socorrer-se na velhice ou na doença, mas, sempre, sobra-lhe alguma coisa para dividir com os mais necessitados, É deplorável nossa subordinação aos cofres recheados. É deplorável nossa subordinação ao acúmulo dos bens materiais, quando sabemos que, de um momento pra outro, poderemos largar o corpo físico e todos bens, as posses ficarão para trás. Nada levaremos para a Vida Maior, apenas as qualidades morais e espirituais.
É preciso, meus amigos, que, antes de tudo, procuremos abrir a porta do coração e deixemos que sentimentos de Amor e Bondade fulgurem para todos. Procuremos doar o pouco que pudermos dispor. Não importa sejam pequenas. Lembremo-nos que as pequenas gotas de chuva fertilizam o solo e produzem alimentos para dezenas de vidas. Lembremo-nos, sempre, daquela linda Parábola do “Óbolo da Viúva”. Doemos, também, nossos bens morais: saibamos encaminhar quem está perdido; saibamos transmitir fagulhas de Esperança aos que se julgam vencidos; saibamos dar um pouco de alegria aos que se encontram nos calabouços da tristeza. Sim, meus amigos, por mais pobres que sejamos, sempre alguma coisa podemos doar: uma côdea de Amor ou uma côdea de pão. Auxiliemos a todos que nos partilhem a caminhada, porque, se com a Graça Divina, já possuímos o necessário, para cada dia, cabe-nos a sagrada obrigação de viver e servir. Segundo a nossa Filosofia, estamos neste mundo, para servir e não para sermos servidos.
Lemos no Jornal “O Estado de São Paulo” de 12/06/2002 - que a CNBB está lançando um mutirão nacional contra a miséria e a fome. A propósito, manifestou-se o Escritor Frei Betto:
“E, no caso do Brasil, nem precisa haver multiplicação de pães, basta reparti-los”.