A responsabilidade de cada um no convívio com o outro

 

Limitar, limitar-se. Drogadito:

Um ser num universo pequeno

 

IDALINA A. SOUZA MAGRO

de Ribeirão Preto, SP

 

Recentemente ouvi de uma jovenzinha:

“— Ah! Eu detesto ler. Não leio nada. Ih! Detesto. Até filme, pego dublado para não ter que ler as legendas”.

Achei incrível. Pensei: como alguém opta pela restrição... no meio em que essa jovem vive, quais suas preferências, como será que é a vida para eles. O que querem da vida? Como se projetam nela e como permitem que ela, a vida, os motive?

Motivação vem do verbo “move-re”, que significa movimentar-se.

Responsabilizar-se com o outro significa estar atento a ele, sabendo que sua participação pode significar um movimento diferente para esse outro num novo sentido que necessariamente deva ser melhor, maior. Quanto nossos jovens estão sendo motivados a participar da vida? Parece que bem pouco. Família, educadores, poderes públicos não perceberam no jovem imensa energia que precisa ser investida na criatividade. E uma explosão de força durante muitos anos e se bem aproveitada, produzirá realizações úteis para ele próprio e para o meio em que vive. A família passa as horas da noitinha vendo novelas: poderiam estar conversando, sobre a vida sobre o jovem, opinando, elogiando, corrigindo com amor e interesse, participando, motivando.

Os educadores, mediante o discurso da “baixa remuneração” não acham que têm obrigação; segundo eles, já fazem demais.

A sociedade, que na verdade, pode parecer muita gente, passa a ser ninguém, diz que não tem tempo, necessita resolver seus próprios problemas, “(...) alguém tem que dar conta disto”. Os poderes públicos, “(...) não há verbas (...)”.

Em meio a isso o traficante se motiva: ele é sábio, quer dizer, sabido. Percebe a força do jovem, sua energia, a vontade de exercitar a mente, seus poderes. Conhece a psique desses meninos e meninas, mais do que a sua família, os educadores, e é mais atuante que o poder responsabilizado que deveria estar com a sociedade que o elege. O traficante seqüestra a força do jovem para ele e, em troca, oferece-lhe “viagens”, muitas delas para a morte, senão para o crime, para a perdição  no desequilíbrio.

Convido, neste artigo, as famílias a se amarem mais, a conversarem, a se olharem.

Aos mestres, convido à realização pessoal, à sua vocação, independente mesmo da remuneração onde o pagamento será outro: o de colaborar com a vida. Aos poderes, convido a olharem os próprios filhos, a própria família e avaliar se tudo está realmente bem. Se estiver, deve promover tal situação de bem estar para aquele por quem um dia se responsabilizaram, e, se não, que esses homens e mulheres públicos sintam na pele de forma bem clara o quanto eles também precisam mudar.

Drogas, responsabilidade de todos.