A criança, a televisão e o computador
NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP
Muito se tem falado sobre a influência da televisão no desenvolvimento sócio emocional das crianças. Também cada vez mais cedo as crianças fazem uso do computador, com grande estímulo dos familiares. Também não se pode negar que o desenvolvimento tecnológico tem oferecido esses instrumentos como opções de aprendizado e lazer.
De tempo em tempo aparece alguma notícia alertando quanto ao cuidado que se deve ter ao permitir que crianças tenham acesso a estas facilidades, todas consideram que não há como proibir sem causar desconforto e fazer a criança sentir-se diferente das demais crianças.
Estudo realizado na universidade de Oregon(1), nos Estados Unidos, com 120 mães de crianças, na faixa etária de 4 a 6 anos, que permanecem de 5 a 19 horas por semana no computador, constatou que crianças que despendem muitas horas frente a telinha têm maior probabilidade de apresentarem problemas de relacionamento com colegas e em alguns casos extremos podem apresentar sintomas de depressão.
Grupos de profissionais que se preocupam com a obesidade infantil têm alertado aos pais que televisão no quarto de crianças é propiciador de inatividade e conseqüentemente se constitui em fator influente da obesidade infantil.(2)
Uma escola da cidade de São Paulo resolveu trabalhar com seus alunos (4-5 anos) com vistas a compreender como eles apreendem os programas que assistem. As próprias professoras passaram a assistir os programas mencionados pelas crianças e constataram que os heróis de antigamente tinham um ideal a atingir e que os atuais conquistam tudo de uma maneira mágica sem visar um ideal. “Tudo se resolve com pouco diálogo, muita ação e maniqueísmo, num formato cuja assimilação nem requer grande atenção da criançada” afirma uma das educadoras que participou do projeto. Concluíram que esses heróis empobrecem a imaginação infantil e as crianças passam a repetir seus atos nas brincadeiras entre si.(3)
A proposta dessas educadoras foi levar os alunos a questionarem as coisas que assistem na televisão. A filosofia do trabalho é: “Questionar, duvidar, e achar outras saídas são exercícios mentais que as crianças podem fazer diante de filmes e desenhos. É a aprendizagem do senso crítico da escolha do pensamento divergente. Eles precisam saber que não é com luta que tudo se resolve”, conversar pode dar certo.(3)
Concomitante com o trabalho com os alunos foi feito reunião com os pais a fim de tratar da violência a que as crianças são expostas e os pais puderam discutir formas de orientar as crianças a “digerir a programação que consomem”.
Esta escola fez seu papel, mas grande é a responsabilidade dos pais a partir da conscientização que tiveram. É muito comum que os pais nunca tenham assistido os mesmos programas infantis que seus pequenos filhos assistem, assim não estão aptos a discutir a veracidade da cena imitada pela criança.
Quanto ao computador, também há os jogos que se constituem em uma luta de vida ou morte, há os sites da internet que não são próprios para crianças (e muitas vezes nem para adultos). Infelizmente os programas que bloqueiam acesso a estes sites são muito dispendiosos e podem não estar ao alcance financeiro da família.
A situação parece sem saída se nos esquecermos da antiga, mas sempre atual solução que se constitui na participação dos pais nas atividades dos filhos, não para proibir, mas para dialogar e esclarecer mesmo quando o limite se faça necessário.
É sem dúvida a solução mais trabalhosa, mas não há quem conteste a sua eficiência, pois além de tudo ela favorece vínculos de companheirismo, interesses comuns!
Lembremos, pais que somos, o alerta de Emmanuel(4); “O filho descuidado, ocioso ou perverso é o pai inconsciente de amanhã e o homem inferior que não fruirá a felicidade doméstica.”
Bibliografia
Síndrome do Computador, Veja, v.35, n.° 24, p.119.
A obesidade se faz em casa, Veja, v.35, n.° 24, p.114-115.
PADIGLIONI, C. Crianças aprendem a se defender da TV, O Estado de São Paulo, Telejornal (Suplemento), 9 de junho de 2002, p. t6
Filhos, Pérolas do Além, 3a ed. Federação Espírita Brasileira, p.102.