Viagem no tempo
ADELINO ALVES CHAVES Jr.
de Ribeirão Preto, SP
Jesus, ao proferir a prece “Pai Nosso” (Mt. 6:9), afirmou à Humanidade que todos os seres humanos são filhos de Deus. Não sendo possível imaginar Deus imperfeito, injusto não poderia, por seus próprios atributos, ter criado Espíritos uns para serem felizes, outros infelizes. Não se pode ignorar entretanto que se vive em meio a desigualdades, onde uns têm muito e outros praticamente não têm um mínimo necessário. Dentro deste contexto como compreender justiça e perfeição divina?
Os Espíritos Superiores informaram, na Codificação, que todos foram criados simples - sem nenhuma qualidade aflorada - e ignorantes - sem conhecimentos prévios -, mas potencialmente perfectíveis, capazes de adquirir conhecimentos, desenvolver capacidades no transcorrer das existências, tornando-se melhores passo a passo.
Dotados de corpos materiais que necessitam de alimentação, cuidados, colocou-os num mundo onde tudo quanto necessitam está disponível, de forma evidente como água, alimentos, ar ou outras que precisam ser descobertas e para tanto o homem, através da inteligência, as percebe e usa.
De início contavam com instintos desenvolvidos em experiências anteriores, não tendo conhecimento claro sobre suas necessidades; assim, quando sentiam fome, sede ou qualquer outra necessidade, automaticamente buscavam saciar-se, processo ainda vigente porém mais elaborado uma vez que hoje pressupõe-se uma linha ética.
Sem perceber o mecanismo das Leis Divinas, desde sempre existentes, pouco a pouco, de forma indireta, viu-se por ela impulsionado pela força de sua ação. O alimento farto escasseando à medida em que era consumido, impelia-o a ir buscar novos locais formando aí novos núcleos, agrupamentos expandindo limites.
Sem perceber, ensaiava passos na Lei do Trabalho: para alimentar-se precisava buscar, decidir - primeiras manifestações do livre-arbítrio, na iniciativa que se aplicava somente em seu interesse.
Sem consciência clara de si mesmo, mantendo-se por longo período em contato com a realidade material, que supria suas necessidades, foi sobrevivendo nesse estado primitivo. Lentamente desenvolvendo a inteligência, o raciocínio, percebe que pode ter outras opções para explorar melhor aquilo que estava à sua disposição. No decorrer das existências esse objetivo de ter, de conseguir, de armazenar arraigou-se no Espírito, uma vez que ficou-lhe fortemente impresso, que aquele que mais tivesse, recebia maior consideração e respeito. Essa conclusão levou grande parte a supervalorizar esses bens materiais que não só lhe dava posição mas também poder, domínio sobre seus semelhantes proporcionando-lhe maior bem-estar. Alimentado e realimentado por este sentimento gerou em si a ambição - que exige cada vez mais -, a cobiça, ganância no desejo de usurpar o que é do outro, sobrepondo-se aos semelhantes, querendo mais, no orgulho e o egoísmo, raízes de todos vícios. Desencarnando e reencarnando com os mesmos objetivos, impulsionado pela Lei do Progresso, fez novas descobertas atingindo elevado grau de conhecimento científico e tecnológico, que na maior parte das vezes, usou ou usa nas mesmas finalidades: ter, possuir para dominar.
Muitos, nesse caminhar, embrenharam-se em atitudes que levaram à prática de crimes, desviaram-se mais do Bem. Ainda atualmente assim agem, dando a impressão que são verdadeiras feras, criadas para o mal. Poucos, ao longo desse processo, perceberam que a finalidade da vida não está restrita aos bens materiais. Estes, procuraram desenvolver capacidades ou virtudes como bondade, compreensão, respeito ao próximo, amor. Como conseqüência o crescimento espiritual destacou-os como se fossem seres especiais criados, desde o princípio, para o Bem. Outros, pessoas comuns, durante a trajetória cometeram equívocos, enganos, acertos. Todos - sem exceção - submetidos a Lei de Causa e Efeito.
A plenitude será atingida paulatinamente, por etapas vencidas, frente aos obstáculos encontrados ao longo da jornada, que ultrapassados fortalecem, deixam experiências, formam tendências agora diferentes porque cunhadas no Bem ,até atingir a felicidade sem perturbações que só a perfeição moral pode proporcionar.
Dores e sofrimentos de hoje, decorrem de escolhas e atitudes perante a vida. Sem dar-se conta desta responsabilidade lamenta, questiona, pára, revolta-se perdendo tempo precioso que poderia estar sendo utilizado na superação dos próprios obstáculos, impedindo-se de crescer espiritualmente com maior rapidez. É essa viagem no tempo que levará o homem, Espírito imortal, até o Pai. Nesse entendimento destaca-se, hoje, o agora, o tempo mais importante onde pode-se redirecionar a meta, entendendo os momentos que se sucedem, como convites especiais, individuais, onde cada qual atenderá segundo o entendimento que já tem da Vida.
Bibliografia:
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos - q. 114