Os enigmas da vida

 

DOMÉRIO DE OLIVEIRA

de São Paulo, SP

 

“Notre Vie vaut ce qu’elle a coûté d’effort” ( Mauriac - 1885 usque 1970 )

 

A vida, em síntese, é um complexo jogo de relações. Estabilizada sobre princípios absolutos e eternos, a vida se conduz à diferenciação para quebrar a monotonia da sua representação. A imobilidade, a estática, por certo, não seriam concebíveis como vida. A estática só pode ser concebida sob o seu aspecto de relação com a dinâmica, isto é, pelo processo de consolidação que lhe possa determinar a própria dinâmica. Por isso, a vida é um jogo de relações, um jogo de movimentos, um sistema de transformações, um processo de persistentes alterações e modificações por meio dos quais a “Essência” se estabelece na “Forma”. A vida é pois esse processo de intercâmbio, de relações, por meio das quais a “Causa” se conserva no “Efeito”, sem prejudicar o próprio “Efeito”. Para isso, a manifestação da vida percorre etapas e se socorre de meios que, como expansão, o próprio movimento cria. Na vida existe a criação da diversidade para a permanência ativa da unidade e da estabilidade. A vida tem como suporte a própria harmonia. Quando entra em desequilíbrio, ela se transforma, mas nunca se extingue. O nosso planeta não poderia valer-se das benesses da vida sem estar em harmonia com o sol e com a lua. Sem equilíbrio universal, por certo, não poderia haver, em nosso planeta, a sucessão dos dias e das noites, nem a mudança das estações, nem haveria clima para o desenvolvimento da vida vegetativa e animal.

Nosso eminente André Luiz, Espírito de grande sabedoria, fala-nos que, no nosso plano, “a imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe nascituro, vemos o seio da Terra, recoberto de mares mornos, invadido por gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva. Dessa geléia cósmica, verte o Princípio Inteligente, em suas primeiras manifestações. Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos Operários Espirituais que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre-si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se lhes derivaria “a existência organizada no globo constituído”.

(Apud - “Evolução em Dois Mundos”- ed. FEB ).

Cremos que, neste ângulo, nosso ínclito André Luiz, com absoluta segurança, nos dá a chave que abre a porta do nascimento da vida em nosso globo. Sim, meus amigos, nos termos da explanação deste Eminente Espírito, nenhuma teoria pode explicar a vida à base exclusivista da matéria. Todos os fenômenos do universo obedecem à uma determinada - “Força Inteligente”. As verdades profundas ultrapassam os acanhados limites das nossas pobres percepções.

Ensina-nos Emmanuel: “que a vida é o eterno fenômeno dos jogos vibratórios e tempo virá em que as Almas da Terra compreenderão o papel do Espírito na sua esfera infinita de influenciação”.

Quando conseguimos deixar esta “Paulicéia Desvairada” e quando conseguimos alcançar algum sítio solitário, onde o céu se mostra mais azul, numa noite clara de plenilúnio, ao alevantarmos nossos olhos para as regiões sidéreas, sentimos que a vida é o patrimônio sagrado de todo universo. Sim, meus amigos, a Vida é a manifestação do Espírito Imortal, comandando os meandros da matéria, dando-lhe o verdadeiro sentido da existência. Sim, meus amigos, a Vida estende-se pelo Infinito, dentro de sua grandeza e do seu sublime mistério.

Para concluirmos, vale lembrarmos das palavras do Iluminado Espírito de Santo Agostinho:

“Não vale a existência, pelo simples viver.

Vale a vida pelo aperfeiçoamento, pela amplitude, pela Ascensão”.

(Apud “Recordações em Leopoldina” - Psicog. de Chico Xavier ).

Se a vida, como definiu um filósofo amargurado, “é uma cebola que se descasca chorando” procuremos transformá-la em uma flor de ponta de galho que possa perfumar os nossos pobres passos.