Efeméride

 

Finados

 

VERA GAETANI

de Ribeirão Preto, SP

 

Reconhecemos que poucos sofrimentos, na Terra, são comparáveis ao da perda de uma pessoa querida. Que o digam aqueles que já vivenciaram essa dor.

Apesar disso, no dia em que essa provação nos bate à porta, o ideal é recebê-la com serenidade, mas, se não for possível, pelo menos corajosamente, reprimindo manifestações de desespero ou revolta e procurando diluir a mágoa apenas na oração, sabedores de que nossas ondas mentais atravessam a barreira da morte e chegam ao espírito desencarnado que, como nós, também vive, pensa, sente, luta, chora e se inquieta pelos que ficaram.

Além de suportar corajosamente a dor da separação, ensina-nos a espiritualidade superior que a melhor maneira de honrarmos a memória de quem partiu é abraçar, com amor, os deveres que o desencarnado nos legou e fazer, em seu nome, todo o bem que ele gostaria de ter feito.

Assim, por exemplo, o melhor que podemos fazer para um espírito que partiu, deixando filhos pequeninos, será, com certeza, amparar esses órfãos e encaminhá-los para o bem.

Podemos constatar atualmente que o desejo de honrar a memória de alguém, dando continuidade ao seu trabalho ou concretizando o seu ideal, é uma história que está na origem de muitas boas obras sociais particulares, que acabam suprindo a deficiência das obras governamentais nesse setor. São as ONGs de iniciativa familiar ou de amigos, obras que entrelaçam em sua ação, encarnados e desencarnados.

Sobre a saudade e resumindo as reflexões, preferimos transcrever literalmente os versos de Emmanuel:

“Ante os mortos queridos,

Faze silêncio e ora.

 

Ninguém pode apagar

A chama da saudade.

 

Entretanto, se choras,

Chora fazendo o bem.

 

A morte para a vida

É apenas mudança.

 

A semente no solo

Mostra a ressurreição.

 

Todos estamos vivos

Na presença de Deus”

 

Bibliografia:

XAVIER, Francisco C./Emmanuel - Religião dos Espíritos - “Ante os que partiram”.