Chamados e escolhidos

 

JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA

de Ribeirão Preto, SP

 

“Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” - Jesus (Mateus, 20:16)

Na parábola da festa de núpcias Jesus compara o reino dos céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Muitos foram convidados para a festa, mas não aceitaram o convite. Uns foram cuidar de negócios; outros preferiram diversões, lazeres. Diz a parábola que foram para suas casas de campo. E houve até quem, além de não aceitar o convite, agrediu os portadores do chamado. Por fim, todos convidados, e a casa onde se realiza o evento fica cheia de gente.

Entendemos o “convite” como sendo a informação, o esclarecimento proporcionado às pessoas para que compreendam as Leis Divinas, e tenham condições de afeiçoarem suas vidas a essas Leis, para que realizem o progresso; a evolução espiritual e sejam felizes. Os convidados são todos integrantes da grande família humana, que vão recebendo o convite à medida em que reunam condições para isso. Todos são convidados porque todos estão subordinados às mesmas Leis, e recebem as mesmas condições para aprender e evoluir. O modo como cada um recebe o convite fala bem de nossas diferenças individuais, e de nosso pouco interesse em participar de uma “festa” tão importante. De fato, de um modo geral, pouco nos interessamos pelas coisas do Espírito, pela nossa evolução espiritual. Preferimos os negócios (atividades materiais; ganhar dinheiro); ou lazeres (casa de campo), recreações, diversões, do que cuidarmos de nosso aprendizado, de nosso aperfeiçoamento espiritual. Faz lembrar a parábola do semeador. Uma parte das sementes nem chega a germinar; outra parte nasce, mas morre logo; ainda outra parte nasce e vinga, mas é abafada pelos espinhos e não chega a produzir. E só a quarta parte encontra terra boa; nasce, cresce e frutifica. Entretanto, até esta última parte produz frutos em quantidades desiguais: a 30, 60 e 100 por um. Importante considerar que não basta ser convidado. É necessário vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a Lei Divina, para ser mantido na “festa”. “A chamada vem de Deus, atingindo todas as criaturas na hora justa da evolução; a escolha, depende do nosso exemplo, e nos confere caminho para a Vida Maior”1. É como num concurso, ou num vestibular. Todos os que satisfazem as condições estabelecidas por quem promove o concurso, ou o vestibular, são chamados a participar. Os aprovados serão os que acertarem um certo número de questões constantes da prova. Quem se aprova é o que faz o teste. Depende do seu desempenho, das respostas às questões formuladas, sua aprovação, ou não.

Somos todos chamados ao trabalho de nossa evolução espiritual. Somos convidados a trabalhar pelo nosso despertamento espiritual, e a vivermos de maneira harmoniosa e feliz. A escolha dependerá da nossa atuação, do modo como vivemos.

Na condição de chamados, o que fazer para alcançar o objetivo acima? Diz Emmanuel: “Decerto, não fostes convidado a criticar, porque, para isso, a Terra dispõe daqueles que transitam entre a malícia e o azedume...

Com certeza, não foste trazido à Revelação para apedrejar o próximo infeliz, porquanto, para esse fim, a crueldade ainda campeia no mundo, usando corações cristalizados na indiferença...

Indiscutivelmente, não foste citado para fortalecer a ingratidão e a calúnia, de vez que para estendê-las a Humanidade ainda conta com milhares de criaturas entregues à leviandade e à maledicência...

Sem dúvida, não foste convocado para descobrir as cicatrizes e as chagas de nossos irmãos, porque, para esse mister, possuímos a legião daqueles que se imobilizam na procura do mal...

Chamei-te para abençoar onde outros amaldiçoam, para justificar onde muitos reprovam e condenam...

Busquei-te para auxiliar com a boa palavra onde o verbo envenenado espalha fogo e fel, convidei-te para o socorro aos ausentes, necessitados de entendimento e compreensão...

Se aspiras, portanto, a condição de escolhido para a vitória com as Leis Divinas, abandona as exigências do espírito de domínio que, porventura, ainda vibrem por dentro de ti... E, fiel aos compromissos que abraçaste no Evangelho Renovador, sentiras na intimidade do coração a felicidade suprema do amigo fraternal que acende em si próprio o fulgor da luz celeste...”2

 

1 - XAVIER, Francisco C., Emmanuel - O Espírito da Verdade, lição 98

2 - XAVIER, Francisco C., Emmanuel - Abrigo, lição 8.