Fatos que devemos conhecer
DOMÉRIO DE OLIVEIRA
de São Paulo, SP
Todos estamos destinados a empreender a grande viagem de regresso. Se eu tivesse que deixar o Brasil e transferir-me para longe, por exemplo, para um local na longínqua África, por certo, iria tomar conhecimento dos hábitos e costumes daquele povo. Procuraria alguém ali nascido ou que o tivesse habitado para que me prestasse informações sobre o clima, os acidentes geográficos, a natureza dos habitantes, enfim, procuraria conhecer tudo ou um pouco do que ali estivesse ocorrendo, estudando o idioma, a vestimenta usual, a alimentação.
Meus amigos, “mutatis mutandis”, essa mesma curiosidade toca o meu Espírito, ainda encarnado, no sentido de tomar conhecimento do Mundo Etéreo ou seja do Mundo Espiritual. A viagem em retorno torna-se obrigatória. Através dos Bondosos Guias, dos sérios e prolongados estudos, paulatinamente, vai se descortinando essa imensa região espiritual. Região tão real para os Espíritos, como nosso mundo físico é real para nós. Para os que aceitam o Princípio da Imortalidade, esta crônica poderá ajudar; para os materialistas que preferem somente os prazeres da efêmera vida física, os termos desta crônica cairão no vazio. Pelos estudos, porém sabemos que nossos corpos arrimam-se no Dualismo: sim, temos dois corpos, num só corpo, a saber: físico um, aquele que vemos e tocamos; semimaterial o outro, aquele que não podemos perceber com os órgãos físicos. Formando um só conjunto, o corpo etéreo, (perispírito), é a estrutura do corpo físico. Esses dois corpos se interpenetram, sob o comando do Espírito. O Espírito, ou seja a “Mente”, jamais envelhece; o envelhecimento acontece ao nosso corpo físico. Os órgãos na matéria envelhecem, desgastam-se, volta a integrar os elementos da natureza. O Espírito, com o seu respectivo corpo etéreo, (Perispírito), desprende-se do conjunto somático e volta ao Espaço. Livres das limitações da matéria as faculdades tornam-se mais claras e rápidas. O Espírito locomove-se com mais facilidade e quando atinge um grau maior de progresso desenvolve a volitação. O corpo etéreo, com as respectivas adaptações, é uma duplicata do corpo físico. Este é apenas uma cobertura protetora do corpo etéreo. Assim, as mãos reais são as etéreas, apenas revestidas de uma luva de matéria física. Já dizia o Padre Vieira: “não somos um corpo com Alma, mas somos uma Alma com corpo”. O Espírito é como aquele escafandro que, para mergulhar, necessita de uma vestimenta especial, no caso o corpo físico do qual se servirá na presente encarnação. A Sede da memória é a Alma: é ela quem pensa, sente e comanda nossos sentimentos e pensamentos. Pelas Mensagens de André Luiz, tomamos conhecimento de que as paisagens do Mundo Espiritual não se distanciam das nossas; as cidades das colônias espirituais assemelham-se às que conhecemos aqui. Espíritos, não muito distanciados das reencarnações, comunicam-se através dos mesmos idiomas que usaram nas últimas existências. Os Espíritos mais evoluídos comunicam-se pela linguagem do Pensamento podendo ler na atividade do cérebro, captando as idéias, percebendo as reações psíquicas. Espíritos que guardam vivos os reflexos da vida material, sentem necessidade de se alimentar e, então, nas colônias espirituais, contam com alimentação fluídica, adequada. Assim não são os Espíritos “nuvens esgarçadas a flutuar”, não são figuras fantasmagóricas. No Plano em que estão “há homens e mulheres” que se locomovem, se vestem, se alimentam, trabalham, como acontece no nosso mundo físico. Lembremo-nos que ao deixarmos o plano físico, o que é “físico” se torna irreal e o etéreo real...