Mudanças
JOANIRA NECAS SOARES
de Ribeirão Preto, SP
Atuando na sociedade e para a sociedade o Centro Espírita é uma instituição com imensa responsabilidade moral. Seu trabalho deve ter dois fatores-chave para a transformação de todos os que estão envolvidos no seu processo de desenvolvimento: estudo e qualidade doutrinária. É fácil perceber o ambiente psíquico de uma sociedade onde seus membros se preocupam em buscar e oferecer conhecimentos, pautados na Doutrina, eles têm uma postura de tolerância, compreensão, companheirismo e solidariedade; seus aspectos morais falam por si, é gratificante convivermos com pessoas que são realmente espíritas, é saudável privarmos de suas presenças, interagirmos com elas, estudarmos juntos.
Um dos melhores índices de que uma instituição oferece algo que agrada é o público. Faz parte das Leis da Natureza, quando se organiza qualquer trabalho de qualidade, a clientela aparece, isso deve servir como sinal de alerta para todos os que dirigem e coordenam trabalhos nas casas espíritas. Se o público cai, ou nunca aumenta, significa que algo deverá ser mudado, que é hora de se replanejar, ou quem sabe, talvez, redefinir os rumos a serem seguidos.
O potencial de cada grupo de trabalho ou instituição não é esta ou aquela parte, mas sim o todo, onde se reflete todo um conjunto de moralidade, seriedade, dedicação, perseverança e força de trabalho; nesse caso fica fácil perceber o que se deve enumerar em primeiro plano para as mudanças mais necessárias. Qualquer grupo que não se avalia, não replaneja suas atividades, é um grupo estacionário, o espírita tem que estar aberto às mudanças, transformações, à certas acomodações que são necessárias para o processo de desenvolvimento da casa espírita e do próprio grupo, do próprio indivíduo. Aquele que nada pode e que acha que a casa espírita tem que se acomodar às suas necessidades e limitações, não é um bom espírita, não é um bom companheiro e não tem muita utilidade em uma instituição que esteja em perfeita sintonia com os postulados da Doutrina Espírita, que por si só é dinâmica, aberta a muitas possibilidades e é naturalmente fonte de progresso humano, não é possível progredir parando no tempo. A Doutrina Espírita está em sintonia com as Leis Divinas, quem quer que seja que faça parte dela, tem que se ajustar aos seus ideais, aos seus princípios.
A maior riqueza de uma instituição é seu material humano, o patrimônio de um centro espírita não é os bens materiais e sim os homens que interagem entre si no desempenho de suas atividades doutrinárias, se desenvolvendo emocional e psiquicamente, enquanto seres imortais caminhando rumo a Deus.
É de fundamental relevância que esses homens se eduquem em comunhão, dividindo e somando juntos, mudando sempre que preciso para se tornarem melhores, ou seja, menos materialistas, menos egoístas, menos presunçosos; que cada um que figure no canteiro de obras de um Centro Espírita possa deixar sua marca registrada de transformação, educando e sendo educado para os fundamentos eternos do Espírito; que seja um facilitador da melhoria e do progresso do outro, pois só assim estaremos nos inserindo nos moldes morais que nos exige o Terceiro Milênio, agora é o Espírito que tem destaque, não mais a matéria como foco central.