Vocação e profissão
NILZA TERESA ROTTER PELÁ
de Ribeirão Preto, SP
A Doutrina Espírita nos ensina que a reencarnação tem por objetivo possibilitar o desenvolvimento moral e intelectual que se faz necessário ao nosso progresso. Ensina-nos ainda que o progresso intelectual se realiza pela atividade obrigatória do trabalho e que o desenvolvimento moral se dá pela vida social que determina a necessidade recíproca dos seres humanos entre si. 1
Reportando ao trabalho como necessário a nossa evolução vamos nos defrontar com a questão da escolha profissional como elemento propiciatório a nosso ajustamento pessoal.
Nessa época do ano a mídia faz um chamamento maciço por diferentes vestibulares em um número cada vez maior de instituições de ensino superior gerando nos jovens a já conhecida angustia pré-vestibular. Os testes vocacionais tornam-se recurso utilizado para ajudar o jovem ainda titubeante na sua escolha. Esses testes definem a aptidão que o jovem tem para uma determinada área profissional, abrindo um leque de possibilidades de escolha profissional.
Vocação como conceituada no dicionário2 é: talento, aptidão, pendor, inclinação natural, mas conforme nos ensina Emmanuel3 “é um impulso natural oriundo da repetição de análogas experiências, através de muitas vidas. Suas características nas disposições infantis são os testemunhos mais eloqüentes da verdade reencarnacionista”.
Ainda Emmanuel4 coloca que a vocação tem duas finalidades: continuação de determinada obra e/ou correção dos próprios caminhos. Seja para continuar ou corrigir é sempre carta de crédito, uma quota de recursos que são colocados a nossa disposição para honrar e engrandecer a obra divina. Entretanto a maioria se apropria indevidamente e tem que retornar as lides da vida material vivenciando experiências dolorosas na execução de tarefas que percebem como inferior às suas capacidades para aprender o valor da oportunidade recebida e negligenciada.
Ao se compreender a necessidade de retificação se faz útil entender que devemos realizar tão bem como possível a tarefa que nos cabe e nunca dizermos que nossa tarefa é excessivamente apagada.5
Toda profissão honestamente exercida é digna ainda que se mantenha sobre o impulso da preservação do próprio conforto, pois esta viabilizando o nosso progresso e engrandece a obra divina, mesmo que para os valores consumistas que ainda se fazem presentes em nosso mundo possa ser categorizada como de baixo prestígio social.
O entendimento das vocações e profissões, à luz da doutrina espírita, possibilita a compreensão que nem sempre a escolha de uma profissão de grande prestígio social é melhor para o futuro de nossos jovens e que aquela tendência que a maioria dos pais têm de “forçar” opções para seus filhos, com vistas a um futuro de mais conforto e prestígio, pode não ser o melhor para seus objetivos na presente encarnação.
Martin Luther King, o pacifista negro americano legou um ensinamento de grande profundidade para todos nós, desmistificando a idéia que há fazeres pequenos e fazeres grandes:
“Se não podes ser uma árvore sobre a colina, sejas um graveto no vale; mas sejas o melhor graveto de todas as léguas em derredor. Se não podes ser como a estrada, sejas uma vereda. Se não podes ser Sol, sejas uma estrela. O valor não se mede pelas dimensões. Seja o que fores, que sejas profundamente…”.
Seria válido nesta época de escolha profissional os adultos estarem discutindo com os jovens o real significado que a profissão tem nas nossas vidas!
1- O céu e o inferno, parte 1, cap. 3. O céu
2- Novo dicionário Aurélio
3- O consolador - questão 50
4- Pensamento e vida, cap. 16 - Vocações.
5- O livro da esperança - cap. 56 - Cada servidor em suas tarefas - Emmanuel