Grandes nomes*

 

ORSON PETER CARRARA

de Matão, SP

 

Ela desejava seguir a vida religiosa. O pai, ao saber, obriga-a casar-se com o primeiro homem que surge na rua. Uma vida conjugal infeliz, dois filhos. O marido, homem bruto, que a surrava diariamente, é assassinado bruscamente. Ela, que sempre levara vida resignada, confiante em Deus, vive agora o sofrimento da perda do marido, mais o desejo de vingança pelos filhos. Temerosa do futuro destes pede a Deus, em súplica fervorosa, que, se fosse para tê-los assassinos, que Ele os tirasse. Deus atendeu... Em pouco tempo, os moços adoeceram e morreram, Ela se vê só e busca realizar o antigo desejo: seguir a vida religiosa.

Busca o convento, mas seu pedido é recusado com a alegação de que só poderia dedicar-se à vida religiosa se fosse virgem e no seu caso era impossível: já fora casada, mãe... Volta para casa desnorteada, sofrida. Ora a Santo Agostinho e lhe pede durante toda a madrugada que a ajude, que a oriente. Desperta com batidas na porta. Abre-a e Santo Agostinho está lá, à sua frente. O susto é grande, mas como mulher cheia de fé encara o fato e descreve seu drama. O amigo que surgira para ajudar promete levá-la até o convento, apesar da recusa da Madre Superiora.

Quando chegam ao alto e forte portão, ela desmaia e desperta tempos depois, já dentro do convento. Surpreendida pela Madre Superiora, relata que Santo Agostinho a levara pessoalmente. A Madre enterra então um cajado no jardim e avisa: Se foi realmente Santo Agostinho quem a trouxe, amanhã este cajado terá flores... E no dia seguinte, o cajado está repleto de flores. Ela então é admitida para a vida religiosa que a celebrizou.

Uma história linda, digna de grandes nomes da história humana. Notem: Santo Agostinho já havia desencarnado, no entanto materializa-se para atender um pedido cheio de méritos. Transporta-a para dentro do convento, apesar das portas fechadas. Da mesma forma faz encher de flores o cajado enterrado no jardim. Deu uma prova da manifestação dos chamados mortos que o Espiritismo tão bem classifica como Espíritos.

Um fato um tanto raro para nossos dias, mas a demonstração viva, registrada pela história, da interferência dos Espíritos em nossas vidas. Em todo o relato está presente a mediunidade, os méritos de quem pediu, mas sem dúvida é um fato notável, digno de ser analisado historicamente e estudado à luz da doutrina Espírita. E mais ainda: exemplo vivo da fé, resignação, coragem, determinação. São grandes nomes que a história registra para estudarmos e utilizarmos como referencial nos desafios existenciais.

Refiro-me a Rita de Cássia, canonizada pela Igreja como Santa Rita de Cássia. Embora entendamos diferente a questão, fica o relato vivo de uma história cheia de exemplos...

 

* Resumo da palestra proferida por Emanuel Cristiano, de Campinas (SP).