Porque Jesus falava por parábolas
SIMONI SCRAMIN REHDER
de Ribeirão Preto, SP
As parábolas de Jesus, com suas comparações simples, mantiveram intocável a sua moral.
Na acepção do termo, parábola é uma narrativa que tem por fim transmitir verdades indispensáveis a serem compreendidas. São narrações alegóricas, na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação outras realidades de ordem superior1.
O emprego que durante o seu ministério Jesus fez das parábolas, tinha por fim esclarecer seus ensinos, mediante comparação do que pretendia dizer. Era uma forma de história onde usava os elementos comuns, conhecidos do homem de então. Ao agricultor fazia comparações, propostas em torno do campo, plantio, semeadura, colheita. Ao ribeirinho das margens do mar da Galiléia, da pesca, dos peixes, enfim, partia do conhecido para despertar por comparações as propostas sublimadas, transcendentes.
Sugeria, com figuras e quadros cotidianos, facilitando aos discípulos a compreensão das coisas espirituais, em paralelos, transportes, analogias.
Aos que o ouviam, procurando compreender os discursos, a parábola tornava-se excelente meio elucidativo dos temas e das dissertações. Aos que não buscavam na parábola a figura que compara, a alegoria que representa a idéia espiritual, se prendendo à forma sem perceber o fundo, para estes as propostas não eram percebidas, conservavam-se ocultas, atidos que permaneciam à história em si.
Jesus conhecia esse momento mental e respeitava-o, entendendo que no tempo próprio, tal qual a castanha, que partida ofereceria suculenta e saborosa noz.
Julgando que as parábolas constituíam-se como mera divagação, no transcorrer dos tempos, mentores religiosos cuidaram para que elas passassem inalteradas, livre de infiltrações, até que atingissem os nossos dias, quando seriam elucidadas à luz do Espiritismo.
Poderíamos perguntar: que proveito se tiraria dessas parábolas, cujo sentido ficou oculto?
Jesus se exprimiu por parábolas sobre as partes difíceis à compreensão de sua doutrina, num tempo em que o desenvolvimento espiritual, mental não permitia associação à práticas morais, nas atitudes do dia-a-dia; fazendo da caridade para com o próximo, da humildade, fraternidade, do amor enfim, a condição expressa de libertação. A esse respeito tudo está claro, explícito e sem ambigüidade. Sobre as outras partes, não desenvolveu seu pensamento senão aos seus discípulos; estando estes mais próximos, Jesus pudera inicia-los nas verdades: ouviam e viam o ensino, percebiam no viver de Jesus o sentido espiritual que permanece para sempre; não se prendendo à figura ou à palavra sonora, que se distingue e desvanece.
Mesmo assim, até mesmo com seus apóstolos, em muitos assuntos mostrou-Se reticente, uma vez que a completa percepção da proposta estaria reservada para tempos ulteriores, onde o desenvolvimento mental possibilitaria percebe-la.
O Espiritismo vem hoje lançar luz sobre uma multidão de pontos obscuros.
De modo geral, toda estada e propostas de Jesus encerram um convite espiritual, idênticos aos contidos nas parábolas. Ater-se aos fatos, à história em si, sem perceber essa transcendência, é não entender a significação espiritual da permanência de Jesus entre nós, que surge como convite a que nas bênçãos do Amor, no respeito ao direito do outro, cada qual aja, no sentido de que Jesus seja sempre o modelo e o guia a acenar e mostrar que é possível ser Bom.
Bibliografia:
1 - Dicionário Aurélio – Pág. 48.
KARDEC, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXV Itens 3 , 6 e 7.
SCHUTEL, Cairbar - Parábolas e Ensinos de Jesus – 1.ª parte – As parábolas e sua interpretação e parábola da candeia.
GODOY, Paulo A. - As Maravilhosas Parábolas de Jesus - Ligeiras Palavras do Autor